O ano de 2022 acabou ontem, mais um ciclo se encerra, mais uma oportunidade se mostra no horizonte. Como diz o grande Drummond, “quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de anos, foi um indivíduo mercadologicamente genial, ele industrializou a esperança, fazendo a funcionar no limite da exaustão. Doze meses dão para qualquer pessoa se cansar e entregar os pontos. E aí entra o chamado milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente”.
Esse texto pode ser muito parecido com aquele lançado na véspera de Natal, não por ser reciclado, mas ser inesgotável em seu intento. Eu, mero mortal e repleto de erros, não assumo a posição de quem determina regras, entretanto, sou aquele que fala de sonhos. Foram anos difíceis, mas 2022 foi extremado. Como é possível que depois de uma pandemia, a qual perdemos amigos e familiares, que ainda estejamos piores do que entramos? Ouvi muitos dizerem que sairíamos melhores dessa crise, mas alguma coisa mudou no caminho.
Eu nunca fui muito bom no futebol e, como birra infantil, nunca dei muita bola (trocadilho apropriado) para o esporte. Há poucos dias morreu Pelé, considerado o rei do futebol. E o que isso tem a ver com o meu texto? Enquanto muitos demostravam suas lamentações pela morte do esportista, outros faziam chacota de sua trajetória pessoal, destacando que ele não merecia respeito por ter abandonado sua filha. Vejamos, essa relação paternal – ou do abandono no caso – é sim passível de censura e debate, mas será esse o momento correto para fazê-lo? Será que nosso julgamento sobre a vida do outro é tão necessária a ponto de esquecer do luto dos que o amam, pelo vil prazer de se mostrar superior?
Não digo que críticas não devam ser feitas, mas como diz o velho ditado: “tudo tem hora e lugar”. Como será que nos tornamos tão frios que nem mesmo a morte comove? Lembro, que mesmo inimigos políticos e até mesmo em uma guerra, reservam um momento para o luto. Quando esposas de presidentes faleceram, seus inimigos políticos foram demonstrar suas condolências pessoalmente. Diante da morte, o respeito deve surgir.
Morreu ontem, dia 31, o Papa Bento XVI. Emérito, se afastou de seu posto há quase dez anos. Seu curto período como sumo pontífice, entre 2005 e 2013, foi marcado por uma série de críticas inflamadas por sua juventude em uma Alemanha controversa. Acontece que, mais uma vez, diante da morte de uma personalidade, as pessoas sentem a necessidade de expor suas críticas. Não respeitando aqueles que sentiram profundamente o seu falecimento.
Quero dizer com isso, que respeito é muito diferente de tolerância, o próprio dicionário faz essa separação. Tolerância é aceitar, é admitir nos outros um comportamento diametralmente oposto ao seu. Respeito é muito diferente, não é aceitar, não é incorporar, não é assumiu posturas... é simplesmente estabelecer espaços e momentos para o outro.
Essa análise vale para todos os momentos de nossas vidas. A propaganda bonitinha do banco, foca no respeito, é com sapiência destaca que é a partir dele que todas as outras “palavras” terão êxito. Eu posso considerar o seu “modo de vida” (termo bem ruim, mas é o que utilizam por aí) contrário ao meu modo de pensar, mas regozijar diante da morte é algo inaceitável (intolerante).
Como nunca conseguimos fugir, seja você de esquerda ou de direita, adepto desta ou daquela corrente de pensamento, quando saímos do campo das ideias e partimos para a existência do outro, algo em nós já morreu. E não é porque “eles fazem assim” que devemos ter a mesma postura, isso não faz de mim melhor do que o outro, mas pior, uma vez que tendo consciência de como é/foi, repeti-lo me torna alguém que conscientemente escolheu fazer. Eu prefiro acreditar que as pessoas erram pela ignorância e falta de conhecimento, mas quando agimos conscientemente, somos mais cobrados, inclusive, pela própria consciência.
Esse foi o meu último texto de 2022. Originalmente eu falava de política, lá nos idos de 2017. Me sinto superpreparado para falar sobre o tema, tenho estudado muito para tal, mas em algum momento do caminho, percebi que era necessário resgatar o essencial para depois então falar de política. Somos uma sociedade, composta por entes diferentes em todos os sentidos. Vivemos o choque da oposição geracional, de gênero, de renda, de pensamento e tantas outras coisas que nos tornam um belo mosaico chamado Brasil. Quero esclarecer que meu intento nunca foi de “coach” (para o terror do Bruno Augusto), mas de tentar focar naquilo que é primordial em qualquer sociedade. Enquanto não entendermos que precisamos de respeito, inclusive para falar de política e, que política nada mais é do que a busca pelo bem geral, não há qualquer discussão, apenas ataques.
Que em 2023 tenhamos o respeito necessário para que juntos possamos construir um país melhor, começando pelo nosso Estado, nossa cidade e nossa casa. O Brasil é a soma de todos os lares, que haja harmonia em todos eles, pois só assim teremos de fato um país para se orgulhar. Respeito, respeito e respeito... é muito mais do que uma propaganda, é o princípio da mudança que todos queremos.
Feliz 2023, que seja um ano de realizações e muitas conquistas, principalmente as internas. Ame intensamente, começando por você. Cuide e seja cuidado. Lembre que toda pedra bruta para virar uma linda escultura foi talhada com a força do malhete e do cinzel, a mudança é dolorida, mas só assim chegaremos ao resultado. Seja forte.