O acesso à internet está mudando, e isso afeta pessoas, cidades e regiões

Da Redação ·
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fonte: Ilustrativa/Freepik
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Durante décadas, a internet dependeu de estruturas físicas bem definidas: cabos, torres, antenas e redes locais. Onde essa infraestrutura não chegava, o acesso era limitado, instável ou simplesmente inexistente. A internet via satélite em órbita baixa surge para enfrentar exatamente esse limite: levar conectividade a qualquer território, independentemente da geografia.

Iniciativas como a Starlink, de Elon Musk, e o Projeto Kuiper, da Amazon, associado a Jeff Bezos, operam com milhares de satélites próximos à Terra, formando uma rede contínua de cobertura. A lógica é clara: reduzir a dependência da infraestrutura terrestre e ampliar o alcance da internet onde os cabos não chegam ou não são viáveis.

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Esse avanço altera o uso da internet em escala global. Com conexões mais acessíveis e previsíveis, cresce o consumo de serviços digitais, o trabalho remoto se expande, a educação a distância se consolida e políticas públicas passam a operar cada vez mais no ambiente online. De acordo com a União Internacional de Telecomunicações, bilhões de pessoas ainda vivem com acesso limitado ou inexistente à internet. As redes via satélite ajudam a reduzir essa lacuna, embora não eliminem, por si só, as desigualdades digitais.

Os impactos negativos também precisam ser considerados. A expansão dessas constelações aumenta o volume de lixo espacial, impõe desafios ambientais e concentra parte da infraestrutura global de comunicação em poucas empresas privadas. Além disso, quanto mais a sociedade se organiza em torno da conectividade, maior se torna a exclusão de quem permanece desconectado ou não consegue arcar com os custos de acesso.

No Brasil, os efeitos são diretos e práticos. A internet via satélite melhora a conectividade em áreas rurais, regiões remotas e municípios pequenos, onde o investimento em redes físicas é lento ou economicamente inviável. Isso influencia educação, saúde, agro, pequenos negócios e a digitalização dos serviços públicos. Não se trata apenas de qualidade técnica, mas de ampliar a capacidade de participação econômica e social.

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No Vale do Ivaí, essa discussão ganha contornos concretos. Melhor conexão permite que produtores rurais utilizem dados e plataformas digitais, estudantes acessem conteúdos educacionais, empreendedores vendam para além da região e prefeituras avancem na oferta de serviços online. Ao mesmo tempo, surge o desafio de transformar conectividade em uso produtivo, evitando que a tecnologia aprofunde desigualdades ou seja subaproveitada.

A internet via satélite não é solução definitiva nem ameaça absoluta. Ela amplia possibilidades e cria novas alternativas para territórios historicamente desconectados. Se bem orientada por políticas públicas, uso responsável e estratégias locais, pode fortalecer economias regionais, ampliar o acesso a serviços essenciais e reduzir distâncias que sempre limitaram o desenvolvimento. O impacto real não está apenas na tecnologia, mas na forma como sociedades, governos e territórios escolhem incorporá-la ao seu cotidiano.

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