Rede de transplantes do SUS cresce e salva vidas no Paraná
O advogdo Divonsir Martos de Ivaiporã que recebeu transplante de figado há 21 anos mostra como o procedimento evoluiu
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Com milhares de cirurgias realizadas todos os anos, o sistema de transplantes do Sistema Único de Saúde (SUS) é hoje uma das principais redes públicas de captação e transplante de órgãos do mundo. No Paraná, o avanço dessa estrutura transformou a realidade de pacientes que, há pouco mais de duas décadas, precisavam deixar o Estado em busca de tratamento, como é o caso do advogado Divonsir Martos, de Ivaiporã.
Atualmente, o Paraná é referência nacional na área. Em 2025, até novembro, foram realizados 1.715 transplantes pelo SUS, segundo o Sistema Estadual de Transplantes (SET/PR), vinculado à Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). No período, o Estado contabilizou 410 transplantes de rim, 264 de fígado, 29 de coração, oito de pâncreas/rim, quatro de fígado/rim e cerca de mil transplantes de córnea, números que colocam o Paraná entre os líderes do país.
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Esse cenário, no entanto, ainda estava distante no início dos anos 2000, quando Divonsir Martos precisou buscar fora do Paraná o tratamento que salvaria sua vida.
Morador de Ivaiporã, ele completou no início deste ano 21 anos do transplante de fígado realizado em Porto Alegre (RS), pelo SUS. À época, tinha 43 anos e enfrentava um quadro avançado de hepatite C.
Segundo Divonsir, os primeiros sintomas surgiram de forma silenciosa. “Eu sentia uma ardência na boca, passava mal quando comia alguma coisa. Se bebia uma cerveja, no outro dia ficava muito mal”, relatou. Mesmo após diversos exames, a causa não aparecia. “Até que um dia fiquei amarelo. Foi quando fiz o exame e descobri a hepatite C”, contou.
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Com o avanço da doença, os médicos constataram que não havia mais possibilidade de reversão. “Quando aprofundaram os exames, viram que o fígado já estava muito comprometido”, disse. Divonsir passou por atendimentos em Londrina e São Paulo, mas ouviu que a espera por um transplante poderia levar anos. “Disseram que a fila podia demorar três ou quatro anos, e eu não tinha esse tempo”, afirmou.
Diante do agravamento do quadro, ele buscou outra alternativa. “Um amigo fazia tratamento em Porto Alegre. Entrei em contato com a equipe de lá e fui para o Rio Grande do Sul”, explicou. Já incluído na fila de transplantes, aguardou cerca de oito meses até a chegada do órgão. “Naquela época, a gente precisava ficar perto do hospital. Morei fora por mais de um ano, indo e voltando”, lembrou.
A cirurgia foi realizada em janeiro de 2005. A recuperação foi longa. “O normal são cerca de 30 dias de internação, mas eu fiquei quase 60 dias, porque estava sozinho lá”, contou. Todo o procedimento foi feito pelo SUS.
Passadas mais de duas décadas, Divonsir leva uma vida considerada normal. “Hoje me sinto muito melhor”, disse. Ele abandonou completamente o consumo de álcool e adotou hábitos saudáveis. “Bebida, nunca mais. Faço caminhada todos os dias, natação e procuro me cuidar.”
O acompanhamento médico segue de forma contínua. “Uso imunossupressor todos os dias para evitar a rejeição. O SUS fornece tudo certinho, sem fila”, explicou. Durante a pandemia, os cuidados precisaram ser redobrados.
Para quem enfrenta o medo do transplante, Divonsir deixa uma mensagem direta. “Transplante é chance de vida. Hoje não precisa ter medo. As técnicas evoluíram, os medicamentos melhoraram e a recuperação é muito mais rápida.”
A história dele reflete a transformação do sistema de transplantes no Paraná e no Brasil, um avanço que ainda depende da doação de órgãos, mas que ao longo dos anos tem garantido mais acesso, segurança e sobrevida a milhares de pacientes atendidos pelo SUS.
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