Morte de cão Serelepe arremessado contra parede causa revolta em Jandaia do Sul (PR)
Autor disse à PM que surtou pois não encontrou seus óculos; animal foi encontrado em meio a área de mata
Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline
Um caso de maus-tratos que resultou na morte de um cão, conhecido como Serelepe, mobilizou a Polícia Militar (PM) na manhã desta sexta-feira (30), em Jandaia do Sul, no norte do Paraná. A ocorrência foi registrada em uma propriedade rural localizada na Estrada São João, após uma denúncia anônima.
- LEIA MAIS: Homem é preso por suspeita de matar cachorro enforcado no Paraná
De acordo com o boletim de ocorrência, a polícia foi acionada para verificar a morte de um animal doméstico. No local, uma testemunha relatou aos policiais que a família havia passado a noite na casa de parentes. Ao retornar para a residência, a mulher notou a ausência do cachorro e questionou o responsável, que estava sozinho no imóvel.
O homem confessou ter tido um surto motivado pela perda de seus óculos. Durante o episódio, ele agarrou o animal e o arremessou violentamente contra a parede, causando a morte imediata do cão. Aos policiais, o autor demonstrou arrependimento, mas confirmou a agressão.
A equipe constatou que o homem apresenta distúrbios mentais, frequenta a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAE) e faz uso contínuo de medicação controlada. Devido à gravidade do ocorrido, o envolvido e a testemunha foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil para prestar esclarecimentos.
Repercussão
A morte de Serelepe gerou grande indignação na comunidade e nas redes sociais. O deputado estadual Delegado Jacovos (PL) utilizou seus canais oficiais para publicar uma nota de repúdio sobre o caso. O parlamentar lamentou a brutalidade do ato e reforçou a necessidade de justiça e proteção aos animais, destacando que situações como esta não podem passar impunes, independentemente das circunstâncias.
O advogado Beny Balabram destaca que o caso possui várias camadas de responsabilidade que vão além do agressor. Segundo o especialista, o uso de medicamentos controlados não justifica, por si só, tamanha crueldade. "É preciso que um médico especialista apure se o agressor tinha consciência do que estava fazendo. Se há uma desconexão com a realidade, essa pessoa dificilmente pode viver em sociedade sem acompanhamento em clínica especial", explica.
Balabram também levanta questionamentos sobre a omissão de terceiros. "A família sabia do potencial agressivo e das agressões que já vinham acontecendo? Se sabiam, têm a responsabilidade de retirar os animais daquela situação. Da mesma forma, entramos na seara do poder público. Se órgãos de proteção foram notificados e permaneceram inertes, existe a responsabilidade administrativa e política por essa omissão", afirma o advogado.
O especialista conclui que o processo agora deve apurar até onde a conduta da família foi permissiva e até onde as políticas públicas falharam. O envolvido e a testemunha foram encaminhados à delegacia para prestar esclarecimentos, e o caso segue sob investigação.
Últimas em Vale do Ivaí
Mais lidas no TNOnline
Últimas do TNOnline