“Boate Azul” completa 60 anos; saiba a história da música
Composição foi feita em 1963 no PR e inspiração surgiu após encerramento de show em boate após morte do papa; diretor quer transformar canção em filme
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Uma das músicas sertanejas mais conhecidas do Brasil, “Boate Azul” acabou de completar 60 anos. De autoria do músico Benedito Seviero, que morreu em 2016, a letra é entoada em todo o país e já foi regravada por inúmeros artistas, como Bruno e Marrone, Milionário e José Rico, César Menotti e Fabiano e Reginaldo Rossi, entre outros. Um projeto, em fase de captação de recursos, quer transformar a canção em filme, com lançamento previsto para 2025.
A letra foi composta na madrugada de 3 de junho de 1963 em uma boate de Apucarana, no Norte do Paraná. Embora nada santa, a letra foi inspirada em um fato histórico religioso: a morte do papa João XXIII, que ocorreu justamente naquele dia. Natural de Trabiju (SP), Benedito Seviero contou em várias entrevistas a história da música.
Segundo o compositor, ele estava na casa noturna "Blue Night", de Apucarana, acompanhado do cantor José Lopes, que faria um show no local. A apresentação, no entanto, foi cancelada por conta da morte do papa horas antes. “A polícia proibiu a apresentação em respeito à morte do papa, mas os frequentadores estavam todos de ‘fogo’ e não queriam ir embora. Eles ficaram lá sem saber para onde ir, bêbados. Foi inspirado naquela cena que, três meses depois, resolvi escrever ‘Boate Azul’”, contou o compositor em entrevista ao jornal Tribuna do Norte, de Apucarana, em 2012. Leia a reportagem na íntegra aqui.
A música tem a parceria do compositor Aparecido Tomás de Oliveira, que fez a melodia. Apesar de composta em1963, a canção foi censurada pelo regime militar e teve sua distribuição proibida em 1964, quando seria lançada. A música acabou liberada apenas em 1982, quando foi gravada originalmente pelo grupo “Os Amantes do Luar “. Em 1985, a dupla Manoelito Nunes e Nazaré regravou a canção. No entanto, as duas primeiras versões não alcançaram sucesso.
Ainda em 1985, “Boate Azul” foi novamente gravada, desta vez, por Joaquim e Manuel. Foi quando obteve sucesso nacional e garantiu à dupla um disco de ouro.
FILME
Seis décadas depois, o cineasta de Apucarana (PR), João Gabriel Kowalski, lançou um projeto para transformar a famosa música composta na sua cidade natal em filme. Ele é um dos autores do roteiro, que prevê gravações na cidade e participações especiais, como da dupla César Menotti e Fabiano, que já morou também em Apucarana.
“Estamos captando recursos para o projeto, apresentando (a ideia do filme) para empresas da região que queiram patrocinar”, afirma João Gabriel Kowalski, que estudou cinema na UCLA em Los Angeles (EUA) e dirigiu vários curtas-metragens e, 20250, o seu primeiro longa “Fora de Cena”.
Apesar de animado com a produção, ele afirma que a expectativa é iniciar as gravações em 2014 e o promover o lançamento em 2025.
Veja a letra
Boate Azul
Doente de amor procurei remédio na vida noturna
Como uma flor da noite em uma bote aqui na zona sul
A dor do amor é com outro amor que a gente cura
Vim curar a dor deste mal de amor na boate azul
E quando a noite vai se agonizando no clarão da aurora
Os integrantes da vida noturna se foram dormir
E a dama da noite estava comigo também foi embora
Fecharam-se as portas sozinho de novo tive que sair
Sair de que jeito, se nem sei o rumo para onde vou
Muito vagamente me lembro que estou
Em uma boate aqui na zona sul
Eu bebi demais e não consigo me lembrar se quer
Qual é o nome daquela mulher
A flor da noite da boate azul
E quando a noite vai se agonizando no clarão da aurora
Os integrantes da vida noturna se foram dormir
E a dama da noite que estava comigo também foi embora
Fecharam-se as portas sozinho de novo tive que sair
Sair de que jeito, se nem sei o rumo para onde vou
Muito vagamente me lembro que estou
Em uma boate aqui na zona sul
Eu bebi demais e não consigo me lembrar se quer
Qual é o nome daquela mulher
A flor da noite da boate azul
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