Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Política

publicidade
POLÍTICA

STF endossa suspensão de emendas e acentua conflito com Congresso

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

O Supremo Tribunal Federal (STF) confirmou nesta sexta-feira, 16, no plenário virtual, a manutenção da decisão do ministro Flávio Dino que suspendeu as emendas impositivas apresentadas por deputados e senadores. Os magistrados, de forma unânime, chancelaram a determinação de Dino de barrar a execução das emendas até que o Congresso dê transparência aos repasses. O resultado do julgamento na Corte acentuou o clima de conflito entre os Poderes Judiciário e Legislativo.

Horas depois de o STF formar maioria para ratificar a liminar de Dino, foi registrado um despacho do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que enviou para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa duas Propostas de Emenda à Constituição (PEC) que limitam o poder da Corte. Uma das PECs, já aprovada no Senado, restringe as decisões monocráticas (individuais) de ministros do Supremo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

Da parte do Executivo, a decisão que mantém a suspensão do pagamento de emendas deixa o presidente Luiz Inácio Lula da Silva com um poder maior para negociar com o Congresso, tentar influenciar na sucessão da Câmara e do Senado e ainda cumprir o arcabouço fiscal neste ano, ameaçado pela arrecadação menor e aumento de gastos.

Ontem, em entrevista à Rádio Gaúcha, Lula voltou a falar sobre tema. "O impasse que está acontecendo agora é possivelmente o fator que vai permitir a gente fazer uma negociação com o Congresso", afirmou o petista. "Hoje, metade do Orçamento está na mão do Congresso Nacional. Não tem nenhum país do mundo que tenha essas condições."

São de execução obrigatória pelo Poder Executivo as emendas individuais e as de bancada - chamadas de "impositivas".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As emendas individuais se tornaram de execução obrigatória em 2015, depois da aprovação de uma PEC no Congresso. Até então, o governo não era obrigado a executar as emendas, e seu pagamento era utilizado como moeda de negociação com os parlamentares. Em junho de 2019, o Congresso voltou a aprovar uma nova proposta, desta vez tornando obrigatória a execução das emendas de bancada. Na prática, os parlamentares se fortaleceram, já que garantiram maior controle do Orçamento e têm uma cota mínima de emendas a ser executada anualmente.

Votos

Todos os outros dez ministros do STF votaram para confirmar a liminar de Dino. Apenas os ministros André Mendonça, Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques juntaram justificativas aos votos. Como relator, Dino foi o primeiro a votar e defendeu a manutenção de sua decisão. Também destacou que há reuniões previstas entre representantes do STF, do Congresso e do Executivo em "busca de solução constitucional e de consenso, que reverencie o princípio da harmonia entre os Poderes".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"A busca por conciliação deve prosseguir", escreveu. Ele também registrou que, a depender do resultado dos "diálogos institucionais", a decisão poderá ser reavaliada.

A indicação se refere às reuniões da comissão técnica montada por Dino para o integral cumprimento da decisão do STF que derrubou o orçamento secreto - revelado pelo Estadão - e proibiu qualquer prática similar. A missão do grupo é centralizar os dados sobre as emendas, após o Congresso e o Executivo relatarem "limitações" nas informações que dispõem sobre os repasses.

O ministro já havia determinado à Controladoria-Geral da União (CGU) que promovesse auditorias nos municípios que mais receberam emendas parlamentares, por habitante, nos anos de 2020 a 2023.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Cruzando dados orçamentários e do Censo de 2022, o Estadão chegou à lista de municípios que deverão ser analisados pela CGU. Concentradas em Roraima, no Amapá e no Tocantins, as cidades são base eleitoral do ex-presidente do Senado Davi Alcolumbre (União-AP); do ministro da Agricultura, Carlos Fávaro; e dos senadores Mecias de Jesus (Republicanos-RR) e Chico Rodrigues (PSB-RR), entre outros.

A Câmara chegou a afirmar que "não tem como colaborar" com os dados dos "patrocinadores" das emendas de comissão.

'Parlamentarização'

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A maior parte do voto de Dino reproduz a decisão em que ele suspendeu todas as emendas impositivas até que o Congresso dê transparência ao repasses. O ministro frisou que a instituição do "orçamento impositivo" não significa a exclusão dos critérios constitucionais e legais para a execução da lei orçamentária. Ele chamou de "anomalia" o fato de o Brasil ter um sistema presidencialista convivendo com a "figura de parlamentares que ordenam despesas discricionárias como se autoridades administrativas fossem". A avaliação de Dino é a de que o "equivocado desenho prático" das emendas impositivas gerou a "parlamentarização" das despesas públicas, sem que exista um sistema de responsabilidade política e administrativa implantado no Congresso.

Como os despachos de Dino são analisados em sessão virtual, os ministros podem optar por seguir o relator, sem apresentar suas razões para tanto. Também se manifestaram sobre o caso apenas os ministros André Mendonça e Dias Toffoli. O primeiro destacou a possibilidade de uma resolução consensual do imbróglio. Já Toffoli acenou ao Parlamento e lembrou do voto que proferiu quando o STF derrubou o orçamento secreto.

No julgamento em questão, Toffoli foi um dos cinco ministros que defenderam a manutenção das emendas do relator, desde que adotados critérios mais transparentes na distribuição dos recursos das emendas parlamentares. Os ministros votaram em uma sessão extraordinária que se encerraria à meia-noite de hoje. Eles registraram os votos na plataforma online sem debate presencial ou por videoconferência.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Recurso

Em outro revés do Congresso, o presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, barrou na madrugada ontem uma ofensiva do Legislativo e dos partidos contra a decisão que sustou a execução de todas as emendas impositivas. O Senado e a Câmara queriam que Barroso derrubasse monocraticamente despachos assinados por Dino. Barroso negou o pedido ressaltando que as decisões foram submetidas a referendo no plenário da Corte.

"Em situações absolutamente excepcionais, o Supremo Tribunal Federal já admitiu a suspensão, pela presidência, de decisões proferidas por outros ministros. No presente caso, contudo, essas circunstâncias não estão presentes", argumentou Barroso. O presidente do STF destacou ainda que o voto apresentado por Dino no julgamento concluído ontem "sinaliza a possibilidade de construir solução consensual para a questão".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email

Últimas em Política

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV