Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Política

publicidade
POLÍTICA

Moraes peita governo e afirma que demarcações indígenas dependem de 'vontade política'

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), voltou a defender nesta quarta-feira, 30, que a União seja obrigada a indenizar proprietários expropriados em processos de demarcação de terras indígenas.

O posicionamento contraria o governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A Advocacia-Geral da União (AGU) argumentou junto ao STF que, se a proposta vingar, as demarcações devem ser prejudicadas, porque o impacto nos cofres públicos será "incalculável".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

Moraes afirmou que o problema não são as indenizações e sim a "vontade política" do Congresso Nacional e da Presidência da República.

"Houve críticas à minha proposta dizendo que, se houver necessidade de indenização, não vai haver demarcação. Não há, até agora, indenização e nós estamos há décadas sem grandes demarcações. Aí é a vontade política do Congresso Nacional e da Presidência da República", rebateu.

Moraes reiterou nesta tarde, no julgamento sobre o marco temporal, que as indenizações precisam ser endereçadas pelo STF, caso contrário o tribunal criará um problema para resolver outro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"A terra é da comunidade indígena, mas o Estado tem que indenizar. Não podemos, para solucionar um problema, que é a questão das comunidades indígenas terem seus direitos desrespeitados, criar um outro problema, deixar milhares de famílias de pequenos agricultores perderem a sua terra sem uma indenização, sem a possibilidade de terem uma outra terra", argumentou.

O ministro argumenta que os pequenos agricultores não podem ser "prejudicados" pelo que vê como uma "inércia" do Estado em reconhecer os territórios indígenas.

A tese criou mal-estar com o ministro Luís Roberto Barroso. Os dois chegaram a trocar ironias no plenário.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Barroso defendeu que, se o STF decidir abraçar a tese de Moraes para arbitrar as indenizações, haverá uma ampliação indevida do julgamento. Isso porque a ação em debate no plenário não envolve uma disputa por terras privadas e sim por um lote público. "São coisas diferentes, não tem como juntar", argumentou. "Repercussão geral fixa uma tese compatível com as especificidades do caso concreto."

Moraes rebateu o colega e afirmou que, sem um parecer sobre as indenizações, o STF vai adiar o problema.

"Nós não podemos fracionar, sob pena de não resolver nada de novo. É muito cômodo deixarmos a próxima ação para daqui a dez anos", afirmou. "Se nós não discutirmos a questão da indenização, nós vamos dar meia decisão. Nós vamos estar postergando para um próximo caso analisar. Para se discutir essa questão, é essencial também discutir a solução do problema. O estatuto jurídico, independentemente se é terra pública, se é entidade pública ou não é, me parece que deve ser discutido tudo."

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O pano de fundo do debate entre os ministros é o julgamento do marco temporal. A tese jurídica prevê que os povos indígenas só têm direito a permanecer nas terras que já ocupavam ou disputavam em 5 de outubro de 1988 - data da promulgação da Constituição. A tese foi usada pela primeira vez em 2009, no julgamento da reserva Raposa Serra do Sol, em Roraima. O julgamento está empatado.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email

Últimas em Política

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV