Saiba quem é a maquiadora e caracterizadora da região que trabalhou com Ana Castela e Negra Li
Neta da primeira professora negra de Rolândia, a profissional da etnia Pataxó une técnica de ponta e ancestralidade em grandes produções do cinema
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Jamile Cristine Rodrigues é maquiadora profissional e caracterizadora com mais de 12 anos de atuação, consolidando uma trajetória marcada pela versatilidade, técnica e presença em produções relevantes do audiovisual brasileiro. Natural de Rolândia (PR), Jamile é uma mulher indígena da etnia Pataxó e integra um grupo ainda raro de profissionais indígenas atuando em produções cinematográficas no Sul do país.
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Sua atuação atravessa diferentes linguagens — do mercado da beleza ao cinema —, tendo assinado trabalhos em editoriais de moda, campanhas publicitárias, videoclipes, espetáculos, séries, curtas e longas-metragens. Ao longo da carreira, participou de mais de 30 videoclipes, além de produções audiovisuais exibidas e reconhecidas regional e nacionalmente.
Entre os destaques de sua trajetória está a participação no longa-metragem nacional “Assalto à Brasileira”, no qual integrou a equipe de caracterização — sendo a única maquiadora paranaense na produção. Também assina a caracterização da série “Na Batalha”, gravada em Londrina, que reúne nomes importantes do audiovisual e da cultura hip hop nacional.
Jamile também atuou em diversos curtas-metragens, como “Inerte ao Raio”, “Ancestrais do Futuro” e “Que voz tem o que se sente”, além do documentário “Jardins da Verô”. No campo musical, seu trabalho está presente em produções de artistas como Negra Li, Ana Castela, Thassia Reis e diversos nomes da cena independente, consolidando sua atuação tanto no circuito comercial quanto autoral.
Sua base profissional está na maquiagem — seja ela social, artística ou editorial —, área em que construiu sua trajetória ao longo de mais de uma década. Nos últimos anos, no entanto, tem direcionado seu foco para a caracterização audiovisual, entendida como um elemento fundamental na construção de personagens e narrativas no cinema. Esse movimento marca uma busca constante por aprofundamento técnico e inserção em produções de maior escala.
Comprometida com a formação continuada, Jamile investe constantemente em cursos, oficinas e especializações na área. Entre suas formações, destacam-se estudos com profissionais reconhecidos do audiovisual, como Paula Vidal (caracterização para cinema e televisão), Britney Federline (caracterização como construção de personagem), Evelise Chaiben (maquiagem no audiovisual) e Celso Sabadin (história do cinema), ampliando seu repertório técnico e conceitual.
Além da atuação em sets de filmagem, Jamile também desenvolve ações formativas, promovendo oficinas de automaquiagem e caracterização, compartilhando conhecimento e contribuindo para a formação de novos profissionais na área.
Outro aspecto que atravessa sua trajetória é a especialização em pele negra, consolidando um trabalho comprometido com diversidade, representatividade e valorização de diferentes estéticas — uma marca presente tanto em seus trabalhos comerciais quanto autorais.
Sua história também dialoga com um importante legado familiar em Rolândia. Neta da professora Jandira Amélia da Silva Rodrigues — primeira professora negra da cidade e primeira homenageada com o Prêmio Zumbi dos Palmares no município —, Jamile carrega em sua trajetória referências ligadas à educação, à cultura e à luta por direitos. Esse contexto amplia a compreensão de sua atuação, conectando sua prática artística a uma história de relevância social e cultural no território.
Fluente em espanhol e com experiência em diferentes contextos de produção, Jamile Rodrigues segue ampliando sua atuação no audiovisual, consolidando-se como uma profissional em ascensão na área de caracterização no Brasil.
Além de sua atuação técnica, Jamile também projeta os próximos passos de sua carreira com foco na criação. A artista pretende protagonizar a produção de trabalhos audiovisuais com ênfase na caracterização, desenvolvendo projetos em parceria com profissionais do audiovisual do Norte do Paraná. Essas iniciativas devem se desdobrar tanto em produções independentes quanto em projetos viabilizados por editais de fomento à cultura, fortalecendo a cadeia produtiva regional e ampliando o alcance de sua pesquisa estética e narrativa