Paraná

Polícia de Paranaguá investiga médico natural de Califórnia

A Polícia Civil de Paranaguá investiga um médico ginecologista, natural de Califórnia, que foi denunciado por pacientes

Da Redação ·
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fonte: Reprodução JB Litoral

A Polícia Civil de Paranaguá investiga um médico ginecologista, natural de Califórnia, que foi denunciado por uma paciente de 25 anos por, supostamente, ter cometido crime de importunação sexual durante consulta particular. As informações são do site  JB Litoral. 

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A vítima registrou o Boletim de Ocorrência na quarta-feira (3), na 1ª Subdivisão Policial de Paranaguá (SDP). Segundo ela, ao chegar na clínica e entrar na sala do médico para realizar um exame de manutenção do dispositivo intrauterino (DIU) o médico trancou a porta, o que acendeu um alerta.

Ao longo da consulta, o médico teria pedido para que a jovem se deitasse e retirasse a parte de baixo da roupa para iniciar o exame e, a partir daí, começado a agir “de forma estranha em relação às suas partes íntimas”, conforme consta no B.O.  “Em seguida, o médico teria pego um gel lubrificante e dado início ao exame com suas mãos e, na sequência, teria realizado gestos estranhos como de masturbação com uma de suas mãos na vítima”. De acordo com o Boletim de Ocorrência, a situação se repetiu por duas vezes.

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O médico, de 63 anos, exerce a medicina desde 1981. Natural de Califórnia, no norte do Paraná, ele começou a atuar em Paranaguá, como servidor público do Estado, em 1987, quando passou a trabalhar no Instituto Médico Legal (IML). Desde a década de 1990, faz parte do quadro clínico de profissionais de um hospital particular localizado na cidade. Em 2001, se tornou funcionário municipal, atendendo como médico ginecologista do quadro da prefeitura.

Atualmente, ele é aposentado do Estado e, de acordo com o Portal da Transparência da Prefeitura, segue como ginecologista da Secretaria Municipal de Saúde. Além disso, tem uma clínica particular de ginecologia e obstetrícia, na qual atende, também, pela Unimed, e é empresário no ramo de produção e comercialização de água mineral.  

Logo após a publicação da reportagem, na qual o JB Litoral informou sobre a acusação, outras possíveis vítimas procuraram a equipe de jornalismo para contar os seus relatos. Elas pedem por justiça.

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Denúncia há mais de 20 anos

Assim como a jovem de 25 anos que registrou o B.O. contra Amauri Bilieri, alegando que ele teria masturbado suas partes íntimas, na semana passada, outras mulheres contam que viveram exatamente o mesmo com o profissional. Mais uma possível vítima, que seria uma mulher bastante conhecida em Paranaguá,  faz questão de revelar sua experiência. 

“Ser conhecida me dá um certo respaldo, pois as pessoas sabem que eu não teria o porquê mentir sobre isso e nem fazer uma denúncia caluniosa”, comentou.

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Ela conta que o que aconteceu foi há mais de 20 anos e, na época, ela foi à delegacia e abriu uma reclamação na Unimed Paranaguá. “Eu era paciente dele, me tratava muito bem, era atencioso, até que um dia mostrou que ele era, de fato, um monstro. A mesma coisa que ele fez com essa menina, que o denunciou, fez comigo, me ‘acariciando’ nas partes íntimas. Notei que ele estava agitado, mas não imaginava que ele fosse fazer isso. Pulei da maca, gritando, bati nele e ele se escondeu no banheiro. Liguei para o meu namorado, que veio me buscar. Na época, não tínhamos celulares para gravar ou tirar fotos, mas eu fiz um escândalo dentro da clínica. O consultório estava cheio de pessoas que viram tudo. Eu e meu namorado fomos à delegacia e à Unimed para denunciar, mas ficou por isso mesmo”, disse à reportagem do JB litoral. 

Para a vítima, o médico  não deve continuar exercendo a medicina. “Ele merece ir para a cadeia. Quantas outras vítimas ele já fez e que não tiveram coragem de denunciar? Agora, com essa repercussão pública, espero que todas contem suas histórias, sejam ouvidas e que a Polícia Civil investigue a conduta do médico”, afirma. Ela foi ouvida pela Polícia Civil de Paranaguá nesta terça-feira (10) e registrou o B.O. nº 2022/482417.

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“Achei que era coisa da minha cabeça”, diz mais uma possível vítima

Mais uma mulher, técnica de enfermagem, também procurou o JB Litoral para denunciar situação semelhante que viveu dentro da clínica particular do médico.  Ela registrou o Boletim de Ocorrência contra ele na semana passada, após a repercussão do caso atual.

“Comigo, aconteceu há mais ou menos um ano. Precisei fazer uma ecografia, a princípio, um ultrassom normal. Ao chegar no consultório, levei uma amiga como acompanhante, mas ele não a deixou entrar, achei estranho, porém concordei pelo fato de trabalharmos no mesmo hospital. Ao entrarmos, ele trancou a porta e disse para eu tirar toda a roupa de baixo. Questionei, dizendo que a eco seria somente na barriga, e ele disse que ‘não’, que seria uma transvaginal. Concordei, até porque ele era médico. Ao realizar o procedimento, ele não usou luvas e, ao passar o gel, ele passou a me estimular. No momento, eu travei, não conseguia nem respirar. Quando introduziu o aparelho, fez movimentos do tipo penetração. No final do exame, ele passou novamente a mão nas minhas partes íntimas. Eu simplesmente travei, não sabia o que fazer”, relembra.

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A vítima conta que, ao final da consulta, ela perguntou sobre o valor do exame. Segundo ela, o médico respondeu dizendo que ela poderia pagar “de outra forma”. “Ele estava com um sorriso ridículo na cara. Respondi que não, que eu trabalhava para pagar as minhas coisas e não precisava me vender para conseguir”, diz.

Ela afirma que, ao sair do consultório, chegou a comentar com uma amiga e outras colegas de trabalho. “Mas eu achei que tinha sido coisa da minha cabeça até ver a publicação do JB Litoral, que revelou a denúncia dessa outra moça. Acredito que existem muitas outras mulheres que tenham passado pelo mesmo”, lamenta.

Mais um caso de suposta importunação sexual veio à tona após a denúncia informada pelo JB Litoral. Desta vez, a vítima decidiu contar ao jornal, uma vez que já realizou denúncia no Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) e prestou queixa, por meio do B.O. nº 1397260/2018, mas afirma que nada foi feito.

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“Na tarde de 7 de dezembro de 2018, fui a uma consulta com o ginecologista para tirar algumas dúvidas, pois havia sido diagnosticada com um cisto por outro profissional. Quando fui chamada, entrei no consultório, cumprimentei o Dr. e contei que eu estava com um cisto, e que estava tomando um medicamento que me fazia muito mal. O Dr me mandou entrar na sala de exame e eu lhe perguntei se precisaria tirar a roupa; ele respondeu que faria apenas uma ultrassonografia obstétrica, mas que se eu quisesse tirar… Fiquei constrangida naquele momento. Quando entrei na sala do exame, ele me falou para tirar a roupa e pendurar na parede, me deitar e cobrir minhas partes íntimas com uma toalha, disse que iria sair da sala para me deixar à vontade. Menos de um minuto depois ele voltou e abriu a porta rapidamente, me flagrando nua na parte de baixo, entrou sem pedir desculpas e iniciou a ultrassonografia. No momento do exame, ele tirou a toalha que cobria minha vagina, cobri novamente e ele repetiu isso mais duas vezes. No fim da ultrassonografia, pediu para eu levantar minhas pernas para fazer exame de toque para ver o cisto e o sangramento. Ele introduziu um líquido em gel diretamente na minha vagina e começou a massagear o meu clitóris. Fiquei com muito medo e desconfortável, comecei a tremer e o Dr perguntou o que eu tinha, falei que estava constrangida e pedi para ele parar, foi quando ele me respondeu: ‘O que é que tem? Você já tem filhos’. Olhei para as mãos dele e vi que ele estava sem luvas e me olhava muito estranho. No final do exame, ele disse que eu não tinha mais cisto. Quando saí do portão da clínica, comentei rapidamente com a secretária dele o que havia acontecido e falei que nunca mais voltaria naquele lugar”, conta.

Médico disse que desconhece o B.O.

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Na semana passada (4), o JB Litoral procurou o médico, que afirmou desconhecer o registro do B.O. “Desconheço qualquer Boletim de Ocorrência registrado contra a minha pessoa, razão pela qual impede que eu exerça de forma adequada o direito ao contraditório, o qual se trata de um direito fundamental previsto na Constituição Federal. Assim, só posso me manifestar de acusações da qual eu tenha ciência do seu inteiro teor. Portanto, não autorizo a veiculação de qualquer notícia sobre tal fato, vinculando a minha pessoa ou minha clínica, sob pena de responderem civil e criminalmente pela leviana conduta”, disse ao JB.

O que diz a Unimed 

O JB Litoral procurou a Unimed Paraná e o CRM-PR para que as entidades se posicionassem a respeito da denúncia realizada na semana passada, pela jovem que registrou o B.O. por importunação sexual.

A assessoria de imprensa encaminhou uma nota: “A Unimed Paranaguá enfatiza que repudia qualquer prática antiética ou que vá contra ao bom exercício da medicina. No que diz respeito ao caso divulgado, recentemente, na imprensa, envolvendo o médico, a cooperativa informa que está à disposição, junto aos órgãos responsáveis, para que o caso seja apurado e esclarecido o mais rápido possível, devendo, todavia, ser observado os direitos e garantias fundamentais do contraditório, ampla defesa e devido processo legal”, afirma.

O que diz o CRM

Já o CRM-PR, afirmou que “no momento, nada consta em nossos registros que desabone sua conduta profissional”.  O órgão também destacou que, “com relação à notícia veiculada pelo JB Litoral, o Conselho abrirá procedimento de ofício para apurar as denúncias, conforme rege o Código de Processo Ético-Profissional”.

“Cabe ressaltar que, por força da legislação vigente, o CRM-PR fica impedido de se manifestar sobre sindicâncias ou processos sob análise, respeitando-se o princípio do contraditório e ampla defesa, com o que qualquer manifestação pública pode incorrer em prejulgamento e violação dos direitos das partes (acusador e acusado)”, diz.

Para ler a reportagem completa, basta acessar o JB Litoral 

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