Paranaense morto na Ucrânia pediu ajuda à Embaixada para voltar ao Brasil
Gustavo Mazzocato, de 25 anos, enviou e-mail relatando vulnerabilidade e falta de abrigo em julho de 2025
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O paranaense Gustavo Rodrigo Faria Mazzocato, de 25 anos, morto em combate na região de Donbass, na Ucrânia, havia solicitado auxílio urgente à Embaixada do Brasil em Kiev para retornar ao país apenas seis dias após sua chegada. Segundo a família, o pedido de socorro foi enviado por e-mail em 27 de julho de 2025, mas não obteve resposta.
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A morte do voluntário foi confirmada no último domingo (4) pelo comandante da 60ª Brigada ucraniana. Gustavo deixa a esposa, Rafaela Alves, e um filho de três anos.
Pedido de socorro e decepção
No e-mail ao qual a família teve acesso, Gustavo relatou dificuldades imediatas no país em guerra. "Vim ao país como voluntário, mas neste momento me encontro sem recursos financeiros, sem abrigo e sem condições de permanecer aqui. Estou em situação de vulnerabilidade e preciso de orientação urgente", escreveu.
Segundo Rafaela, o marido se arrependeu da decisão ao perceber que fora enganado quanto à sua função no conflito. A promessa era de que ele atuaria na artilharia (apoio à distância), mas foi alocado na infantaria, setor responsável pelo combate direto e ocupação de terreno na linha de frente.
Últimos contatos e corpo não recuperado
Gustavo, que era natural de Curitiba e havia servido ao Exército Brasileiro em 2018, manteve contato esporádico com a família. O último áudio foi enviado na madrugada de 29 de dezembro, no qual expressava esperança de que seu contrato estava perto do fim e dizia sentir saudades do filho e dos avós.
A esposa foi informada de que o corpo de Gustavo provavelmente não será recuperado do campo de batalha devido à intensidade dos confrontos na região de Donbass, impossibilitando o translado para o Brasil.
Posicionamento do Itamaraty
O Ministério das Relações Exteriores informou que, por questões de privacidade, não comenta casos específicos de assistência consular. No entanto, a pasta reforça a recomendação para que brasileiros não aceitem propostas de alistamento voluntário em forças armadas estrangeiras.
Desde junho do ano passado, o Itamaraty alerta que contratos militares podem limitar severamente a capacidade de assistência consular e dificultar o desligamento dos voluntários, aumentando o risco de morte em conflito.
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