Morre no PR Eurípides Ferreira, pioneiro do transplante de medula óssea na América Latina
Responsável pelo primeiro procedimento do gênero na região em 1979, especialista foi peça-chave na oncologia do Hospital Pequeno Príncipe
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Morreu nesta sexta-feira (03), aos 86 anos, o médico Eurípides Ferreira, um dos principais expoentes da hematologia no Brasil. Ele liderou, em parceria com o médico Ricardo Pasquini, a equipe responsável por realizar o primeiro transplante de medula óssea da América Latina, ocorrido em outubro de 1979 no Hospital de Clínicas de Curitiba. O procedimento histórico beneficiou o paciente Alírio Pfiffer, que recebeu a doação de seu próprio irmão.
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A trajetória de Ferreira foi marcada pelo pioneirismo e pela dedicação ao tratamento do câncer infantojuvenil. Em 1996, ele integrou o grupo que realizou o primeiro transplante brasileiro entre pessoas sem parentesco, viabilizado pelo Registro Brasileiro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Segundo o médico relatou em entrevistas, sua motivação nasceu de uma promessa feita em 1966, após atender uma criança com leucemia que não tinha chances de cura na época. "Naquele dia eu fiz uma promessa para mim mesmo: vou fazer todo o esforço para poder curar essas crianças", relembrou o especialista em depoimento recente.
Além de sua atuação acadêmica e científica, Eurípides Ferreira teve papel fundamental na estruturação da saúde paranaense. Ele trabalhou por 57 anos no Hospital Nossa Senhora das Graças e foi o responsável por implantar os serviços de Oncologia, Hematologia e Transplante de Medula Óssea no Hospital Pequeno Príncipe, transformando a unidade em referência nacional. Sobre sua missão, o médico afirmou em 2020 que sempre buscou ser útil: "Dentro de toda minha formação, eu creio que temos nesse mundo uma passagem e que temos de oferecer o nosso melhor".
Para aqueles que desejam dar continuidade ao legado de Ferreira, o cadastro como doador voluntário de medula óssea permanece aberto em hemocentros de todo o país. Os interessados devem ter entre 18 e 35 anos, apresentar documento oficial com foto e estar em bom estado geral de saúde, sem doenças impeditivas. O processo consiste em um cadastro no Redome acompanhado da coleta de uma amostra de 10 ml de sangue para tipagem, sendo que o voluntário permanece disponível no sistema para doação até completar 60 anos de idade.
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