Megaoperação prende 55 pessoas em esquema de jogos de azar no PR e mais quatro estados
Esquema nacional de exploração de jogos de azar movimentou mais de R$ 2 bilhões, segundo a Polícia Civil
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Uma megaoperação da Polícia Civil do Paraná (PCPR), em conjunto com o Ministério Público (MPPR), prendeu 55 pessoas entre terça (7) e quarta-feira (8) por envolvimento em um esquema nacional de exploração de jogos de azar que movimentou mais de R$ 2 bilhões. A ação cumpriu mandados em 27 cidades do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Pará e Goiás.
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Batizada de Bigfish, a ofensiva mobilizou mais de 330 policiais civis e contou com o apoio de três aeronaves para cumprir 371 ordens judiciais. O saldo da operação inclui o sequestro de bens e o bloqueio de contas bancárias visando recuperar R$ 1,5 bilhão. Entre os detidos estão as principais lideranças da organização criminosa, dois vereadores e integrantes dos núcleos financeiro e operacional do grupo.
A atuação das forças de segurança também resultou na apreensão de 132 veículos avaliados em mais de R$ 11 milhões e no sequestro de 111 imóveis estimados em R$ 32,9 milhões, além da retenção de dezenas de cabeças de gado. As autoridades determinaram ainda a remoção de 21 sites de apostas ilegais da internet.
A ofensiva é o desfecho de uma investigação de mais de três anos iniciada na cidade de Grandes Rios, no Norte do Paraná. Durante o período, a polícia analisou 2,6 terabytes de dados e cruzou informações de mais de 520 mil operações financeiras a partir de 119 quebras de sigilo bancário e fiscal. O trabalho revelou a estruturação de um conglomerado empresarial formado pela fusão de dois dos maiores grupos de jogos ilegais do país, originários do Paraná e de Goiás.
De acordo com o delegado da PCPR, Marcus Felipe da Rocha Rodrigues, as duas organizações se associaram em uma engrenagem criminosa complexa voltada para a prática de diversos crimes. Para ocultar a origem e o destino do dinheiro movimentado com as apostas, a quadrilha utilizava empresas de tecnologia financeira, conhecidas como fintechs, operando por meio de contas coletivas que dificultavam o rastreamento dos valores ilícitos.
"Também evidenciou-se a criação de empresas de fachada e fictícias voltadas para ocultar os rendimentos ilegais e assim dar uma aparência de licitude aos valores obtidos de forma criminosa, integrando na economia formal valores obtidos”, afirma o delegado da PCPR.