Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Paraná

publicidade
FISCALIZAÇÃO

Força-tarefa flagra mais de 7 mil casos de subnotificação de acidentes de trabalho em frigorífico no PR

Além da subnotificação de acidentes de trabalho, a operação também identificou graves irregularidades nas áreas de saúde ocupacional

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

Força-tarefa flagra mais de 7 mil casos de subnotificação de acidentes de trabalho em frigorífico no PR
Autor A inspeção também identificou irregularidades na movimentação manual de cargas - Foto: Reprodução Catve

O Ministério Público do Trabalho no Paraná (MPT) coordenou, entre os dias 23 e 27 de março, força-tarefa interinstitucional em frigorífico de abate de suínos e produção de industrializados localizado no município de Medianeira, na região Oeste do Estado. Durante operação realizada na empresa, o MPT identificou a subnotificação massiva de acidentes de trabalho e doenças ocupacionais: 7.094 casos sem emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). Além disso, não foi localizada nem uma única CAT emitida por doença ocupacional.

-LEIA MAIS: Feto é encontrado sem cabeça dentro de bueiro

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

Verificou-se, ainda, que a empresa não realizava adequadamente a análise epidemiológica dos acidentes e doenças em perspectiva preventiva. Além da subnotificação de acidentes de trabalho, a operação também identificou graves irregularidades nas áreas de saúde ocupacional, ergonomia, segurança de máquinas e proteção de gestantes.

Não obstante as irregularidades apontadas, a empresa manteve uma postura cooperativa e técnica durante a fiscalização. Esse processo culminou na celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) em 27 de março, subscrito pelos procuradores do trabalho Priscila Dibi Schvarcz e Lincoln Roberto Nobrega Cordeiro — ambos integrantes do Projeto Nacional de Frigoríficos do MPT — e pelo procurador Fabrício Gonçalves de Oliveira, de Foz do Iguaçu. A força-tarefa contou, ainda, com o suporte técnico do médico do trabalho Elver Andrade Moronte, da Procuradoria Regional do Trabalho da 9ª Região (PRT9).

Diariamente, a unidade abate 6.100 suínos por dia, produz 18.600 kg diários de produtos e emprega aproximadamente 5.000 trabalhadores. Participaram da ação conjunta a Receita Federal, o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a Vigilância Sanitária municipal de Medianeira, a Vigilância em Saúde do Estado do Paraná e o 9º Batalhão de Bombeiros. A atuação integrada permitiu a verificação simultânea de múltiplas dimensões das condições de trabalho e funcionamento da empresa.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Outras irregularidades encontradas

Além da subnotificação de acidentes de trabalho, a empresa possuía 69 trabalhadoras gestantes expostas a níveis de ruído iguais ou superiores a 80dB(A) — nível de ação a partir do qual a adoção de medidas preventivas é obrigatória, representando risco à saúde materna e ao desenvolvimento do nascituro.

A inspeção também identificou irregularidades na movimentação manual de cargas, com o uso de gaiolas de 2,06 metros e pallets e caixas posicionados abaixo do limite de 50 cm exigido pela NR-36. Ficou evidenciado que, embora as Análises Ergonômicas do Trabalho (AETs) apontassem riscos críticos, não havia a implementação de medidas corretivas. Somam-se a isso o ritmo intenso de produção, a ineficácia dos rodízios e violações à NR-12, que deixavam zonas de risco de máquinas acessíveis aos colaboradores.

Além disso, o sistema de detecção de amônia apresentava-se subdimensionado para o porte da unidade e operava de forma isolada dos alarmes, em desacordo com a NR-36. A dependência do fechamento manual das válvulas de controle foi apontada como um fator que ampliava o risco de exposição dos trabalhadores em eventuais vazamentos do agente refrigerante.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

TAC: empresa assume obrigações

Por meio do Termo de Ajustamento de Conduta celebrado ao final da força-tarefa, a empresa demonstrando uma postura colaborativa perante as autoridades e a sociedade, comprometeu-se, entre outras medidas a: afastar gestantes de ambientes com ruído acima de 80dB(A); adequar o sistema de detecção de amônia; controlar a movimentação manual de cargas; redução do ritmo de trabalho, a partir do método OCRA; implantar rodízios eficazes; proteger máquinas e equipamentos; reformular as investigações de acidentes com foco na causa real; emitir CATs para eliminar a subnotificação; estabelecer critérios para análise do nexo entre adoecimento e trabalho; notificar agravos no SINAN; garantir a estabilidade acidentária; e desvincular bonificações de atestados médicos e faltas legalmente justificadas, entre outras obrigações.

O cumprimento do TAC será acompanhado pelo MPT. O descumprimento sujeita a empresa ao pagamento de multas.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email

Últimas em Paraná

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV