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PRIMEIRA EM 10 ANOS

Filhote de elefante-marinho é devolvido ao mar no Paraná

Soltura histórica ocorreu nesta quarta-feira (21) próximo às Ilhas dos Currais; animal foi tratado de pneumonia

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Filhote de elefante-marinho é devolvido ao mar no Paraná
Autor O filhote foi solto nesta quarta-feira (21) - Foto: LEC-UFPR

O litoral do Paraná registrou um marco para a conservação marinha nesta quarta-feira (21): a soltura de um filhote de elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina). A ação, realizada próximo ao Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, foi a primeira do tipo envolvendo um filhote da espécie em 10 anos de atuação do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no estado.

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O animal, um macho de aproximadamente quatro meses, 1,79 metro e 66 quilos, havia sido encontrado em 26 de dezembro pela Polícia Militar. Após o resgate, ele foi encaminhado ao Centro de Reabilitação (CReD) do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR, onde foi diagnosticado com pneumonia e secreção respiratória.

Segundo a professora Camila Domit, coordenadora do PMP-BS/LEC-UFPR, a aparição de um filhote no Paraná é inédita e acende um alerta. "Normalmente, aparecem juvenis ou adultos errantes. Um filhote indica uma situação diferente, que exige avaliação sobre como esses registros alertam para a saúde e qualidade do oceano", explica. O caso está sendo estudado em conjunto com pesquisadores do Uruguai e Argentina para compreender possíveis efeitos das mudanças climáticas na distribuição da espécie.

Tecnologia de ponta e monitoramento

Antes de retornar ao habitat natural, o elefante-marinho passou por um procedimento inédito no estado: a instalação de um transmissor via satélite. O equipamento, fruto de uma parceria com a Univali (SC), pesa cerca de 100 gramas e se desprende naturalmente com o tempo.

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O dispositivo permitirá o monitoramento em tempo real da trajetória do animal, fornecendo dados sobre profundidade de mergulhos, áreas de alimentação e rotas migratórias. "Ainda sabemos pouco sobre os primeiros deslocamentos desses animais. Os dados contribuirão significativamente para a ciência oceânica", afirma André Barreto, coordenador geral do PMP-BS no Paraná e Santa Catarina.

Orientações à população

A equipe técnica alerta que, mesmo após a soltura, o animal pode ser avistado descansando em praias da região, o que é um comportamento natural da espécie durante longas migrações.

Caso o animal seja visto, a orientação é não se aproximar, não tocar e não alimentar. A presença humana próxima gera estresse e pode comprometer a recuperação. Ao avistar o animal, a população deve acionar imediatamente a equipe do PMP-BS (disponível do Rio de Janeiro a Santa Catarina) para avaliação especializada.

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