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Falso biomédico é denunciado por homicídio após morte de idosa no PR

Silvana de Bruno, de 66 anos, havia pago R$ 15 mil pelos procedimentos; ela teve que retirar as mamas, mas não resistiu à infecção

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Falso biomédico é denunciado por homicídio após morte de idosa no PR
Autor A denúncia aponta que a vítima faleceu devido a complicações decorrentes de uma série de procedimentos estéticos invasivos - Foto: Reprodução

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) denunciou um estudante de Biomedicina, de 22 anos, pela morte de Silvana de Bruno, de 66 anos. A denúncia, apresentada na última quinta-feira (9), aponta que a vítima faleceu devido a complicações decorrentes de uma série de procedimentos estéticos invasivos realizados pelo jovem em Curitiba (PR). O acusado responderá por homicídio doloso e falsidade ideológica.

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Segundo as investigações, em setembro de 2025, o estudante alugou salas em um condomínio da capital paranaense utilizando documentos falsos e passou a se apresentar como dentista e biomédico. Durante o atendimento a Silvana, que pagou R$ 15 mil pelos serviços, ele realizou uma lipoenxertia nos seios, procedimento exclusivo de profissionais médicos. Dias após a intervenção, a idosa relatou dores intensas, mas o suspeito limitou-se a receitar antibióticos em vez de encaminhá-la para internação imediata. Com o agravamento do quadro, Silvana buscou ajuda hospitalar, precisou ser submetida a uma mastectomia total para a retirada das mamas e parte do tecido torácico, mas não resistiu à infecção.

A denúncia do MP-PR sustenta que o estudante assumiu o risco de matar a paciente (dolo eventual) ao atuar sem formação médica, sem assepsia adequada e em local impróprio. O crime de homicídio foi qualificado por motivo torpe, devido à busca por lucro fácil, dissimulação, por ele ter se passado por profissional de saúde, e traição, pela quebra da confiança estabelecida com a vítima. A pena ainda pode ser aumentada em um terço por Silvana ser idosa. O suspeito também foi denunciado por falsidade ideológica porque, ao acompanhar a vítima na entrada do hospital, registrou-se falsamente como primo dela e biomédico.

Mesmo sendo investigado pela morte de Silvana, o estudante continuou a realizar procedimentos invasivos, o que levou à sua prisão preventiva no dia 1º de abril por exercício ilegal da medicina. A Polícia Civil foi alertada após o suspeito ameaçar uma testemunha que havia avisado outras duas pacientes sobre os riscos, fazendo com que elas desmarcassem os atendimentos. Durante o cumprimento dos mandados de busca e prisão, as equipes policiais apreenderam medicamentos, seringas com substâncias desconhecidas e materiais com sangue descartados de forma irregular. A delegada responsável pelo caso informou que, após perder a sala alugada, o homem passou a atender as pacientes na casa delas, sem qualquer condição de higiene.

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Em resposta às acusações, a defesa do estudante classificou a denúncia como prematura, alegando não haver nexo direto entre o procedimento estético e a morte da idosa. O advogado afirmou que o próprio Ministério Público reconheceu a necessidade de perícias complementares e que aguarda o recebimento formal da denúncia pela Justiça para tomar as medidas cabíveis.

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O Conselho Regional de Biomedicina (CRBM) também se manifestou sobre o caso, confirmando que o suspeito não possui registro profissional e que já havia recebido uma denúncia anônima contra ele no início de 2025. O órgão ressaltou que a atuação em Biomedicina Estética é exclusiva de profissionais com diploma de nível superior, inscrição ativa e habilitação específica, sendo que estudantes podem atuar apenas de forma supervisionada em estágios formais. O Conselho orienta a população a sempre verificar o registro dos profissionais nos sites de classe antes de se submeter a qualquer procedimento de saúde ou estética.

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