Dois pacientes da região devem receber aplicação de polilaminina em Maringá
Os candidatos são dois homens, um de Iretama e outro de Arapongas, que devem passar pelo procedimento
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Dois moradores da região do norte do Paraná aguardam autorização para integrar um grupo restrito de pacientes que poderão receber a polilaminina, tratamento experimental voltado a pessoas com lesão medular grave. Os candidatos são dois homens, um de Iretama e outro de Arapongas, que devem passar pelo procedimento na Santa Casa de Maringá.
Desde janeiro, três pacientes já foram submetidos à aplicação da substância na unidade hospitalar, que vem se consolidando como referência no Sul do país para esse tipo de protocolo clínico.
O primeiro paranaense a receber a polilaminina foi o aposentado Juarez de Almeida, de 64 anos, vítima de um acidente de moto em Colorado. Tetraplégico após lesão cervical, ele passou pelo procedimento em 8 de janeiro, poucos dias depois da autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para início dos casos clínicos no Brasil.
De acordo com a neurocirurgiã Katia Nakamura, chefe do serviço de neurocirurgia da Santa Casa, o paciente apresentou melhora inicial considerada expressiva, com recuperação parcial da sensibilidade abaixo da área lesionada e avanço nos movimentos dos braços e nas respostas sensoriais nas pernas.
Apesar da evolução positiva, Juarez morreu semanas depois em decorrência de complicações hospitalares. Segundo a equipe médica, ele desenvolveu fadiga pulmonar, precisou ser entubado, apresentou pneumonia e evoluiu para sepse. A profissional ressaltou que o desfecho não teve relação com a aplicação da substância, mas com intercorrências clínicas comuns em casos de lesão cervical alta.
Outros dois pacientes já tratados seguem em acompanhamento periódico, conforme prevê o protocolo, com avaliações em um, três, seis e doze meses após o procedimento. Ambos teriam apresentado melhora na sensibilidade.
Segundo Katia Nakamura, a Santa Casa passou a receber casos encaminhados após entraves administrativos em hospitais paulistas. Em uma das situações, o procedimento chegou a ser cogitado no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, mas não foi autorizado pelo setor jurídico da instituição por se tratar de estudo clínico.
A equipe responsável pelo desenvolvimento e aplicação da polilaminina, liderada pela pesquisadora Tatiana Sampaio, tem enfrentado dificuldades logísticas em diferentes unidades hospitalares, como restrições para entrada de equipe externa em centro cirúrgico e exigências protocolares. Diante da estrutura e do cumprimento rigoroso das normas técnicas, a unidade de Maringá passou a ser considerada referência para a realização do procedimento.
A aplicação é feita em centro cirúrgico, sob anestesia, por técnica percutânea, sem necessidade de abertura da coluna. A substância é injetada diretamente na medula, em pontos estratégicos da área lesionada, com o objetivo de estimular a reconexão neural e reduzir o processo cicatricial.
Os dois novos pacientes aguardam decisão judicial para uso compassivo do medicamento. A liberação depende de autorização da Justiça, análise do laboratório responsável e aval da Anvisa, além da organização logística para envio da equipe e da medicação.
A polilaminina é autorizada apenas para casos de lesão medular aguda ou subaguda, até 90 dias após o trauma, e destinada a pacientes classificados como ASIA A, ou seja, sem sensibilidade ou movimento abaixo do nível da lesão. Por se tratar de estudo clínico, o tratamento não é custeado pelo Sistema Único de Saúde nem por planos privados, e os custos hospitalares e judiciais ficam sob responsabilidade das famílias.
Enquanto aguardam a autorização, os dois pacientes da região permanecem na expectativa. A equipe médica destaca que a aplicação dentro do período indicado é determinante para ampliar as chances de resposta clínica positiva.
Informações: GMC Online
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