Leia a última edição
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Geral

publicidade
GERAL

Sanções ocidentais forçaram mudanças na economia

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

IGOR GIELOW, ENVIADO ESPECIAL

MOSCOU, RÚSSIA (FOLHAPRESS) - Quando serve uma entrada incrivelmente aromática de peixes do mar Negro temperados com frutinhas silvestres e bastante endro, o garçom Sasha sorri e faz questão de dizer: "100% russo!".

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

Ele trabalha no restaurante LavkaLavka, surgido de uma cooperativa de produtores orgânicos da região de Moscou em 2009. Desde 2014 a procura pelo lugar explodiu, e o orgulho patriótico de Sasha embute um paradoxo russo.

As sanções ocidentais, impostas ao país após a reabsorção da Crimeia em 2014, foram respondidas com veto à importação de alimentos.

Assim, uma cena de restaurantes surgiu nas grandes cidades, baseada numa rediviva procura por produtos locais -que substituíram importados nos mercados chiques. Neles, queijo brie francês agora é brie da região do Volga, e a Crimeia estrela latas de peixes defumados, roubando a vaga do produto italiano ­que custava o dobro.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O White Rabbit, do chef-celebridade Vladimir Mukhin (23º na prestigiosa lista mundial 50 Best), é o exemplo mais famoso, com um cardápio sazonal ligado às regiões russas.

"Sem as sanções, o governo teria reagido de forma diferente para enfrentar a queda no preço do petróleo. Teria emprestado para custear o déficit e defender o rublo, o que seria desastroso", diz Chris Weafer, consultor-chefe da Macro-Advisory, apontado como melhor especialista em mercado russo no país.

Com elas, o governo revidou em 2015 deixando o rublo flutuar e banindo importação de alimentos de países que puniram a Rússia. A agricultura ganhou impulso, cuja face simbólica é a gastronômica, e levou o país a se tornar o maior exportador de trigo e açúcar do mundo em 2017.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A âncora verde ajudou a puxar o PIB, que caíra 2,8% em 2015, para o 1,5% de 2017. "Mas não é suficiente, porque a tendência é de crescimento baixo até 2020, então Putin terá trabalho", afirma ele sobre o presidente que deverá reeleger-se no domingo (18).

A diversificação da economia, ancorada na produção de petróleo e gás, é outro subproduto. Putin rearmou o país surfando em um barril a US$ 100 em vários momentos, mas desde o fim de 2014 o preço despencou a até US$ 40.

Em 2013, hidrocarbonetos representavam 52% do orçamento, que se equilibrava projetando o barril a US$ 115. Em 2017, a fatia caiu a 40%, e para este ano as contas fecham com o barril a US$ 58 -a meta é chegar a US$ 40 em 2021.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Por outro lado, as sanções dificultaram a tomada de empréstimos e o ambiente de negócios. Cerca de 50 bancos devem fechar neste ano.

"Isso se reflete no crescimento baixo, que atinge o estilo de vida", diz Weafer. Por ora, o desemprego está sob controle, na casa dos 5%, e a inflação foi amansada a civilizados 2,5% em 2017.

Na mesa de Putin há dois planos antagônicos para revitalizar a economia: um, do ex-ministro da Fazenda Alexei Kudrin, prevê maior rigor fiscal; outro, do conselheiro presidencial e candidato ao Kremlin Boris Titov, vai na linha desenvolvimentista de aumento do gasto público.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"Putin historicamente é alinhado ao pensamento de Kudrin, mas terá de ver se haverá novas sanções e não pode descartar Titov por questões políticas", diz Weafer.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email

Últimas em Geral

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline