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Fortalecimento da indústria 4.0 requer agenda de prioridades, afirma BNDES

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CLEOMAR ALMEIDA

GOIÂNIA, GO (FOLHAPRESS) - Novos modelos de negócio inovador e tecnológico serão criados com o fortalecimento da indústria 4.0, e o país deve se preparar urgentemente para as mudanças, segundo especialistas que participaram, nesta segunda-feira (12), do seminário Inovação no Brasil: Centro-Oeste. O evento foi promovido pela Folha de S.Paulo, com patrocínio do governo de Goiás.

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O conceito de indústria 4.0 teve origem a partir de um projeto de estratégias do governo alemão voltadas à tecnologia e foi usado, pela primeira vez, na Feira Hannover, em 2011. A proposta consiste em conectar máquinas, sistemas e ativos para que as empresas criem redes inteligentes em toda a cadeia produtiva e controlem os módulos da produção de forma autônoma. Com isso, as fábricas poderão agendar manutenções, prever falhas nos processos e se adaptar a alterações não planejadas na produção.

Para o superintendente de planejamento do BNDES, Mauricio Neves, a indústria 4.0 requer dos governos e dos gestores públicos e privados a capacidade de definição da agenda de prioridades. "Precisamos debater qual é a agenda de desenvolvimento e a agenda de políticas públicas", afirmou.

O país, segundo o superintendente, deve ter um sistema de indústria forte, o que, para ele, é imprescindível para o desenvolvimento econômico e social. "Pode parecer que a incorporação de tecnologias se pareça com um bazar de tecnologias, mas a experiência internacional mostra que, no mundo, não foi assim. No fundo, tem conjugado demandas para a missão do desenvolvimento." Ele ressaltou que o BNDES vai lançar edital conjunto com vários parceiros de fomento à inovação, mas não informou quando isso irá acontecer.

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PRODUTIVIDADE

A superintendente e diretora de inovação do IEL (Instituto Euvaldo Lodi), Gianna Cardoso Sagazio, disse que o Brasil precisa investir no setor. "Todos os países desenvolvidos possuem políticas bastante ativas de pesquisa e inovação", afirmou, destacando que os incentivos econômicos geram aumento de produtividade.

Sagazio citou uma sondagem de 2016 da CNI (Confederação Nacional da Indústria), segundo a qual 42% das indústrias brasileiras desconhecem a importância de tecnologias digitais para a competitividade. A pesquisa também mostrou que 52% delas não utilizavam nenhuma das tecnologias citadas no levantamento naquele ano.

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De acordo com a superintendente do IEL, a indústria de transformação representa 11,8% do PIB. ?Voltamos aos níveis da década de 50. Sabemos que os países, para serem fortes e desenvolvidos, precisam de indústria forte.?

EMPREGOS

Representante da UEG (Universidade Estadual de Goiás), Eduardo Braz afirmou que o autocontrole e a autogestão são muito importantes para a tecnologia e a indústria 4.0, que, segundo ele, está no contexto da quarta revolução industrial. "Podemos notar que, nas outras revoluções, mesmo com a eliminação de empregos pelas máquinas, sempre surgiam mais empregos para atender às demandas das novas tecnologias", disse.

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No entanto, de acordo com Braz, a quarta revolução industrial não resgatará os empregos suprimidos. "A nova revolução industrial não terá a recuperação de empregos com as novas tecnologias. A internet das coisas é a alma da indústria 4.0."

A internet das coisas refere-se à conexão em rede de objetos físicos, ambientes, veículos e máquinas. Isso ocorre por meio de dispositivos eletrônicos que possibilitam a coleta e troca de dados. Base da indústria 4.0, os cyber-físicos são os sistemas que funcionam à base da internet das coisas e possuem sensores e atuadores para garantir a segurança das informações. "Os sistemas, efetivamente, se autogerenciam", afirmou o representante da UEG.

Devido a toda revolução 4.0, segundo Braz, os governos devem tomar iniciativas que garantam a competitividade das empresas. "A Alemanha e a China estão na frente. O Brasil está caminhando. O BNDES tem plano ousado de internet das coisas", disse ele.

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