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Ganhador de um Jabuti, escritor Victor Heringer morre aos 29 anos

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MAURÍCIO MEIRELES

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O escritor carioca Victor Heringer morreu, na tarde desta quarta (7), no Rio de Janeiro. Aos 29 anos, ele era considero uma das principais vozes de sua geração e o reconhecimento era crescente nos últimos anos. A causa da morte não foi divulgada.

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Heringer era poeta e prosador. De versos, publicou "Automatógrafo" e "O Escritor Victor Heringer", pela 7Letras. Pela mesma editora saiu seu primeiro romance "Glória", rendeu a ele um prêmio Jabuti em 2013.

Em 2016, ele passou para uma editora maior, a Companhia das Letras, e publicou seu último romance, "O Amor dos Homens Avulsos". O livro conta a história de dois meninos que se apaixonam, mas têm seu idílio interrompido por uma tragédia.

"O livro dele, quando me chegou, foi uma surpresa deliciosa e inesquecível: era ao mesmo tempo uma prosa calcada na melhor crônica de costumes carioca mas com um veneno atualíssimo, quase um happening com Machado, Marques Rebelo e os melhores cronistas da cidade", diz Leandro Sarmatz, que foi o editor de Heringer quando trabalhava na Companhia das Letras.

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Recebido com elogios pela crítica, "O Amor dos Homens Avulsos" se passava em um bairro fictício no subúrbio do Rio de Janeiro --e traz um narrador que, em 2014, lembra o trauma do amor interrompido.

Quando falava sobre o livro, Heringer dizia ter buscado trazer uma potência da ternura para a sua escrita. Ele dizia que as visitas a sua avó em Del Castilho, zona norte do Rio, haviam sido fundamentais para a construção literária do ambiente suburbano.

O romance foi finalista dos prêmios Rio, São Paulo e Oceanos. Para escrevê-lo, Heringer chegou a pedir que leitores enviassem a ele os nomes de seus primeiros amores.

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A exposição Rejuvenesça, aberta na sexta (3) no Centro Municipal de Arte Hélio Oiticica e voltada para a poesia expandida, no Rio, traz alguns trabalhos de Heringer.

VOLTA AO RIO

A notícia causou comoção entre escritores e editores nas redes sociais. Heringer era considerado também pelos pares um dos principais talentos contemporâneos, reconhecimento que ele atingiu ainda muito jovem.

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"Quem ele não encantava? Jovem, bonito, gentil, boa companhia, uma escrita impecável. Tudo de bom. E aí nos deixou", diz a crítica literária Beatriz Resende, que foi orientadora de mestrado do autor.

O escritor acabara de voltar para o Rio, sua cidade, depois de viver em São Paulo e em Nova Friburgo, além de passar alguns meses viajando. Ele começara a trabalhar, recentemente, na coordenação de literatura do Instituto Moreira Salles.

Em seus posts nas redes sociais durante as viagens, costumava elogiar uma vida nômade.

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"Quando eu morrer, se alguém perguntar, diga que eu era alegre escrevendo. Sou feliz escrevendo, assim como só sou feliz em viagem, em trânsito. Deslocável", escreveu Victor Heringer certa vez na revista literária Enfermaria 6.

"A alegria de encontrar um novo modo de dizer, um novo processo textual ou um novo personagem é a mesma de descobrir uma mesquita num beco impronunciável, um amigo de albergue ou uma trilha de montanha onde torcer o tornozelo."

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