Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Geral

publicidade
GERAL

Terroristas também têm consciência, diz José Padilha em Berlim

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

GUILHERME GENESTRETI, enviado especial*

BERLIM, ALEMANHA (FOLHAPRESS) - Ao apresentar seu novo filme no Festival de Berlim, o diretor brasileiro José Padilha rebateu as críticas de que a obra suaviza a imagem dos personagens principais, dois alemães pró-Palestina que sequestram um avião cheio de passageiros israelenses. ?Terroristas também têm consciência. Cometeram algo inescusável, errado, mas são seres humanos e eu tinha de retratá-los como tal?, disse após a sessão de ?7 Dias em Entebbe?, produção anglo-americana que teve sua estreia mundial nesta segunda (19).

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

Não fosse o fato de o cineasta carioca ter assumido o projeto quando ele já existia, o filme poderia se passar por uma obra realmente idealizada pelo diretor de ?Tropa de Elite? e ?Ônibus 174?.

Estão lá, como em seu longa mais famoso, os dilemas sobre os limites do uso da força, o argumento militarista e as zonas cinzentas dos polos em disputa.

Com essa sua nova produção, Padilha volta à competição do Festival de Berlim, mas desta vez sem disputar o Urso de Ouro, prêmio que ele levou em 2007 com a primeira parte de sua saga sobre o Capitão Nascimento.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

O novo filme reencena um caso real ocorrido em 1976, o sequestro de um avião da Air France lotado de passageiros israelenses por militantes pró-Palestina e seu desvio para a cidade ugandense de Entebbe. Entre os sequestradores estavam dois alemães, Wilfried Böse e Brigitte Kuhlmann, vividos no filme por Daniel Brühl (?Adeus Lênin?) e Rosamund Pike (?A Garota Exemplar?), respectivamente. É sobre ambos os personagens que o filme deposita a maior parte do peso da trama. Ingênuos e despreparados para a possibilidade de derramar sangue, os dois se batem com as contradições da empreitada; estão engajados na lita pró-palestinos, mas cedo se nota que eles não têm a frieza emocional necessária.

O filme contrapõe as motivações da dupla de alemães das razões que impelem seus parceiros do Oriente Médio. ?Os palestinos o faziam por causa conflito, aquilo era pessoal e visceral. Os outros vinham de uma tradição da esquerda dos anos 1970, o faziam pelo marxismo, pela ideia?, afirma o cineasta brasileiro. ?Os reféns desafiavam a motivação de Böse e o acusavam o nazista, o que é a última coisa que alguém de esquerda daquela época gostaria de ser acusado. E ele tentava a todo custo se afastar dessa impressão.?

Longe do cenário do atentado, na cúpula do governo israelense, o diretor cria um thriller de gabinete. O premiê Yitzhak Rabin (Lior Ashkenazi) e seu ministro da Defesa, Shimon Peres (Eddie Marsan), também enfrentam seus próprios xadrezes políticos e estratégicos discordarem um do outro sobre a operação militar de resgate dos passageiros. ?Quando se olha a dinâmica entre os dois, você percebe a dificuldade de dialogar em Israel?, diz o diretor.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Já o ditador ugandense Idi Amin (Nonso Anozie), que na trama espera barganhar com as potências ocidentais por meio do episódio, é retratado com direito a todos os seus aspectos folclóricos já explorados no cinema. É praticamente o alívio cômico do filme.

Padilha acrescenta ao caldo da querela árabe-israelense questões como culpa alemã, utopia esquerdista e sionismo, mas sem tomar partido.

Acaba costurando uma obra que pode, como notou a revista americana ?The Hollywood Reporter?, irritar o atual primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. É que ao mostrar a operação, a trama destoa da versão defendida pela família do premiê, segundo a qual Yoni, militar e irmão mais velho do premiê, foi chave no resgate e morreu sob fogo palestino.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

No filme de Padilha, além de seu papel ser bem menor , ele é alvejado por ugandenses. ?Não é uma história que vai agradar a Netanyahu?, disse à publicação o historiador Saul David, cujo livro inspirou o roteiro.

Padilha comentou as contradições e disse que se inspirou no relato daqueles que efetivamente participaram da operação. ?A minha versão é aquela dos que estavam lá, as testemunhas visuais.?

O episódio já foi mote do filme israelense ?Operação Thunderbolt? (1977), que teve o mitológico ator Klaus Kinski no papel de Böse.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

*O jornalista se hospeda a convite do festival

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email

Últimas em Geral

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV