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Corpo pintado ou vestido? Globelezas antiga e atual têm opiniões diferentes

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CRIS VERONEZ

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Uma produção que levava mais de dez horas para ser finalizada, e que resultava em um corpo nu cheio de cores e purpurina. Assim foi a caracterização da Globeleza que sambou nas vinhetas de Carnaval da Globo de 1991 até 2016. De 2017 para cá, a emissora optou por incluir outras danças tradicionais carnavalescas na vinheta, além de trocar a nudez por trajes típicos.

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Erika Moura, 25, sentiu a experiência na pele. Ela assumiu o posto em 2015 e já dançou tanto nua como vestida. A opinião dela sobre a mudança na caracterização é neutra.

"Meu amor pela dança me inspira e a minha paixão pelo Carnaval me permite colocar isso em prática. Independentemente de estar vestida ou com o corpo pintado, tenho muito orgulho de representar essa grande festa, disse, em entrevista ao "F5".

Segundo ela, a maior parte do público também se manteve imparcial. "Tivemos um retorno muito positivo desde a vinheta do ano passado. Os dois estilos agradam. O objetivo sempre é mostrar a diversidade, a alegria e a beleza que o Carnaval representa."

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Para Moura, dançarina e graduanda em educação física, alguns ritmos são mais difíceis que outros na hora de representá-los. "Todos têm o seu desafio, como dar os saltos do frevo ou sambar em cima de um salto. Para mim, o mais desafiador foi atuar como porta-bandeira, pois além dos giros com o 'saião', tinha que segurar e girar o pavilhão. Foi realmente incrível."

DE OUTROS CARNAVAIS 

Já Valeria Valenssa, 46, que inaugurou o posto de Globeleza no início da década de 1990, é clara ao dizer que prefere a vinheta protagonizada por uma mulata nua.

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"Eu acho que a Globeleza nua tinha mais a ver. As pessoas estavam mais acostumadas com esse conceito. Acho que eles [Globo] quiseram renovar e inovar. Mas a mulata nua sem dúvida tem mais a ver", disse.

Após aparecer sambando nas telas da Globo por tantos anos, ela escolheu deixar a função para se dedicar à família.

"Hoje vivo outro momento. Escolhi cuidar dos meus filhos. Mas tenho a consciência de que fiz um bom trabalho e criei uma imagem legal, junto com minha família."

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Mesmo há 15 anos fora do ar, Valenssa ainda figura no imaginário popular como Globeleza. "Isso acontece porque fiz um trabalho bem feito. Só eu sei o quanto foi delicado, o quanto foi difícil chegar lá."

Neste ano, a ex-Globeleza esteve no camarote Club Arpoador, estreante na Sapucaí. Ela representou o Sol. O espaço teve identidade visual inspirada no pôr do sol do Arpoador [um dos cartões postais do Rio, localizado na zona sul da cidade], criada por Hans Donner, seu marido.     

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