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Senadores propõem acordo de imigração, e Trump se opõe

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ESTELITA HASS CARAZZAI

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Na tentativa de romper o impasse sobre imigração nos EUA, senadores apresentaram uma proposta bipartidária ao Congresso nesta segunda (5) --desta vez, porém, sob oposição da Casa Branca.

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O plano, que ainda precisa arregimentar apoios, foi apresentado pelos senadores John McCain, um decano do partido republicano, e Chris Coons, democrata em seu segundo mandato.

A ideia é conferir cidadania aos chamados "dreamers", jovens imigrantes que chegaram aos EUA ainda crianças e estão sob ameaça de deportação, e prevê reforços na segurança da fronteira. Mas o texto não cita o muro que o presidente Donald Trump prometeu ampliar na divisa com o México --primeiro com fundos que cobraria do vizinho e depois com verba solicitada ao Congresso dos EUA-- e que diz ser "desesperadamente necessário".

"Qualquer acordo que não inclua o muro é perda de tempo", reagiu Trump em um de seus canais oficiais.

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Os congressistas afirmam que a proposta é "um caminho viável" e "um ponto de partida", segundo Coons.

"É hora de acabar com esse impasse", defendeu McCain. "Nossa atual realidade política exige cooperação entre os partidos."

O Congresso está dividido a respeito das leis de imigração. A administração federal chegou a ficar três dias paralisada porque a aprovação do Orçamento travou diante da falta de consenso, e só voltou a operar porque foi fechado um acordo temporário.

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Trump insiste em destinar US$ 25 bilhões em recursos para ampliar o muro na fronteira. Ele também quer restringir a permanência de familiares de imigrantes no que chama de "cadeia imigratória" e acabar com o sorteio de "green cards" (autorização de residência permanente) entre imigrantes de nacionalidades com baixa representatividade nos EUA.

PARALISIA

"O presidente já deixou claras suas propostas", afirmou o porta-voz da Casa Branca Raj Shah, acrescentando que, para conceder cidadania aos "dreamers", é preciso reforçar a segurança na fronteira com o muro. "Sem isso, tornar legal quem estava aqui ilegalmente só vai piorar as coisas", disse.

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Os democratas, por sua vez, dizem que um acordo que inclua financiamento do muro está fora de cogitação e pedem uma solução definitiva para os "dreamers", que eram protegidos por um programa do governo de Barack Obama revogado por Trump.

Eles acusam o republicano de rotular imigrantes como uma ameaça à segurança e aos empregos americanos, um estigma que rechaçam.

A proposta apresentada nesta segunda busca o meio termo. "Precisamos achar um jeito de voltarmos a trabalho, e este é um caminho viável", afirmou o senador Coons.

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McCain e Coons argumentam que o projeto tem amplo apoio entre os congressistas: pelo menos 54 deputados já o apoiam o projeto, sendo metade de cada partido.

Sem acordo no Congresso, nesta sexta-feira (9) o governo dos EUA corre o risco de ficar novamente paralisado por falta de verba liberada.

Já o prazo para que se encontre uma solução para os "dreamers" se encerra no próximo dia 5 de março.

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A partir daí, se não houver solução legislativa para sua permanência legal nos EUA, os jovens estarão sujeitos à deportação.

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