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Trump libera dossiê de republicano que questiona imparcialidade do FBI

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ESTELITA HASS CARAZZAI

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Depois de dias de expectativa em Washington, o presidente Donald Trump liberou nesta sexta (2) a divulgação de um relatório da Comissão de Inteligência da Câmara que aponta problemas na investigação do FBI, a principal polícia federal do país, sobre as eleições de 2016.

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Escrito pelo republicano Devin Nunes, o documento afirma que o FBI "ignorou e omitiu" a inclinação política de agentes e fontes que iniciaram a investigação, e que teriam motivações anti-Trump.

A divulgação do memorando eleva a queda de braço entre o presidente e o FBI, que apura se a campanha do republicano conspirou com russos ligados ao Kremlin para vazar informações depreciativas sobre sua adversária, a democrata Hillary Clinton.

Para Trump, o inquérito é uma "caça às bruxas" e está sendo politizado pelo Departamento da Justiça. Ele autorizou a divulgação do memorando, que era sigiloso, alegando seu "significativo interesse público".

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O FBI, cujo trabalho precisa, em grande parte, de sigilo, protestou contra a publicação e afirmou, na quarta (30), que tinha "graves preocupações com a omissão de fatos" no documento, o que afetaria sua precisão.

A investigação do FBI, que continua em andamento, tem se aproximado do Salão Oval. O depoimento do próprio Trump aos investigadores já é tido como possibilidade.

ACHADOS

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O principal apontamento do memorando é contra um dos documentos que deu base a medidas de vigilância no início da investigação, um dossiê contra Trump feito por Christopher Steele, ex-informante do FBI que foi pago pelo Partido Democrata.

Segundo Nunes, o documento serviu para justificar medidas de vigilância eletrônica contra Carter Page, assessor da campanha do republicano, em outubro de 2016.

Sua inclinação política, porém, teria sido omitida pelo FBI no pedido à Justiça.

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"É uma quebra preocupante de procedimentos legais estabelecidos para proteger o povo americano de abusos relacionados à lei de vigilância", disse o deputado Nunes.

O "dossiê Steele", que acabou divulgado pela imprensa após a campanha, revelou encontros da campanha de Trump com informantes russos, mas também continha informações falsas ou nunca confirmadas, como farras com prostitutas e negócios feitos à base de propinas.

"As raízes políticas do dossiê eram conhecidas por autoridades do FBI e do DoJ [Departamento de Justiça]", afirma Nunes.

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O deputado afirma que Steele foi suspenso da função pelo próprio órgão por cometer a "mais grave das violações" para alguém em sua posição, a de informante: revelar sua identidade à imprensa.

Nunes ainda diz que o espião tinha sentimentos anti-Trump, mencionando um depoimento de Steele ao Departamento da Justiça em que afirma estar "desesperado para Trump não ser eleito".

Para o deputado, tudo isso foi ignorado ou omitido pelo FBI no pedido de monitoramento de Page, o que levanta preocupações com a legitimidade e legalidade da investigação.

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O FBI argumenta que a verificação do dossiê de Steele ainda estava em seu início na época do pedido, e que o informante tinha um histórico de credibilidade.

O memorando republicano ainda menciona mensagens de texto trocadas entre um agente do FBI e sua amante, também advogada do FBI, que demonstrariam "clara predisposição contrária a Trump e favorável a Hillary".

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