Febre amarela deve seguir para litoral via Serra do Mar
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ANGELA PINHO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após entrar na região da Cantareira pela divisa com Minas Gerais, o vírus da febre amarela provavelmente seguirá seu caminho no Estado de São Paulo em direção à Serra do Mar, preveem as autoridades de saúde.
Por essa razão, cidades do litoral como Guarujá, Ilhabela e São Sebastião, entre outras, foram incluídas na campanha de vacinação com doses fracionadas, iniciada no dia 25. Desde então, cerca de 1 milhão de pessoas foram vacinadas no Estado.
Para Marcos Boulos, coordenador de Doenças da Secretaria da Saúde do governo Geraldo Alckmin (PSDB), a chegada ao litoral provavelmente não ocorrerá neste verão, mas será possível detectar antecipadamente a presença do vírus se começarem a aparecer casos de humanos ou macacos infectados na região de Angra dos Reis e Paraty, no Rio de Janeiro.
Por ora, isso não ocorreu. O litoral paulista não tem nenhum registro da doença, mas o caminho é considerado natural, uma vez que o vírus entrou na mata atlântica, já passou pelo Espírito Santo e afeta parte do Rio.
Boulos afirma ainda ser possível que todo o Estado de São Paulo venha a ser considerado área endêmica, ou seja, com circulação frequente do vírus da febre amarela. Por isso, a ideia é vacinar a população de todas as cidades paulistas até o final deste ano --mas de forma gradual.
A secretaria ressalta que pessoas sem indicação da vacina não devem correr aos postos, até porque o Estado registra três mortes por reação adversa à vacina desde 2017 e tem mais 12 sob investigação --os efeitos adversos são raros, porém graves.
Quem está fora da área de recomendação de vacina, ou não pretende viajar para área de risco, deve esperar a orientação médica ou da Saúde.
A previsão de rotas pelas quais a febre amarela pode avançar é feita desde 2017 com base em corredores ecológicos, regiões de mata por onde o vírus tem se espalhado.
Mapeamento da secretaria mostra que o vírus avançou por esses corredores desde 2016, chegando em três entradas. A primeira, pela região de São José do Rio Preto, no noroeste do Estado; a segunda, por Poços de Caldas, no sul de Minas, e a terceira, pela região de Extrema, cidade mineira na divisa com cidades paulistas da região da Serra da Cantareira.
Essa terceira entrada seria a responsável pelos casos em cidades como Mairiporã (77) e Atibaia (17). Uma hipótese para a volta da circulação do vírus é o aumento da área de reflorestamento do Estado.
TRATAMENTO
Desde o início do ano, o Estado de São Paulo fez seis transplantes em pessoas com hepatite fulminante causada por febre amarela. Cinco pacientes foram operados na capital, onde estão em recuperação, e um em Campinas, que não resistiu e morreu. A iniciativa é inédita no mundo.
Segundo o secretário David Uip, está em desenvolvimento um protocolo para uso de um remédio contra hepatite C para parte dos casos de febre amarela, como antecipou a Folha. Parte dos doentes já está recebendo o tratamento em caráter experimental.