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Venezuela elimina taxa de câmbio controlada para importações públicas

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Venezuela abandonou uma de suas duas taxas de câmbio oficiais, que era usada para importações pelo governo de comida e remédios. As mudanças no câmbio foram publicadas na segunda-feira (29) no Diário Oficial.

De acordo com o texto, todas transações de comércio exterior usarão agora a taxa conhecida como Dicom, pela qual US$ 1 (R$ 3,17) vale 3.345 bolívares. Pela taxa que foi extinta, conhecida como Dipro, US$ 1 valia 10 bolívares.

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Mas, no mercado negro, US$ 1 custam cerca de 250 mil bolívares, ou seja, as taxas oficiais supervalorizam o bolívar, causando distorções que contribuem para a hiperinflação e para a falta de insumos básicos como comida e remédios no país. A maioria dos venezuelanos não consegue comprar dólares pela taxa oficial, só no mercado negro.

A mudança pode encorajar empresários a estocar mais produtos importados, mas há dúvidas se as novas regras serão cumpridas pelo governo.

O decreto também relaxa os controles do governo sobre o sistema de câmbio, o que também pode fazer com que mais importações passem a fluir ao país.

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A Assembleia Nacional, controlada pela oposição, estima que a inflação na Venezuela no ano passado tenha chegado a 2.616%. Já o FMI (Fundo Monetário Internacional) diz que a taxa pode chegar a 13.000% neste ano.

O governo do ditador Nicolás Maduro também anunciou novos subsídios governamentais a milhões de venezuelanos, mas, com o bolívar desvalorizado, o impacto tende a ser pequeno.

O salário mínimo no país atualmente equivale a cerca de R$ 9,50. O programa de ajuda do governo para mulheres grávidas pagará cerca de R$ 66, pelo câmbio do mercado negro, por mês. Outros oito milhões de venezuelanos poderão receber no carnaval um bônus que equivale a R$ 8,90.

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CRISE E DESABASTECIMENTO

A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo e já esteve entre os países mais ricos da América Latina. Entretanto, depois de quase duas décadas de regime socialista e má administração da companhia estatal de petróleo, passa pela pior crise econômica de sua história.

Sanções econômicas impostas em agosto pelo governo Trump ampliaram a crise, impedindo o acesso do país ao crédito e afastando as companhias de petróleo. Enquanto isso, a fome se amplia.

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Saques, greves e protestos realizados pelos pobres famintos vêm aumentando na Venezuela, país já habituado a tumultos.

A crise tem levado dezenas de milhares de venezuelanos a atravessar a fronteira e entrar no Brasil. Em Boa Vista, em Roraima, já são mais de 40 mil venezuelanos, mais de 10% da população da cidade.

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