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Membro da direita populista alemã surpreende ao se converter ao islã

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - De um dos mais ativos membros da ala cristã de um partido de direita nacionalista a muçulmano convertido.

A decisão do político alemão Arthur Wagner pegou de surpresa sua legenda, a AfD (Alternativa para a Alemanha), que se tornou a terceira força do Parlamento alemão ao fazer campanha pelo fim da "islamização" do país.

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Wagner, que tem ascendência russa, ocupava desde 2015 um cargo na Executiva da AfD no Estado de Brandemburgo, no leste da Alemanha, além de integrar a organização "Cristãos da AfD".

Antes de se filiar ao partido populista, Wagner foi da CDU (União Cristã-Democrata), mesma sigla da chanceler Angela Merkel.

Ele renunciou ao cargo na Executiva da AfD no último dia 11, alegando "motivos pessoais". Apenas dias depois, por telefone, informou a um colega sobre sua conversão ao islamismo.

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"Isso é um tema privado", disse Wagner ao jornal "Der Tagesspiegel", acrescentando que não iria mais se manifestar sobre o assunto.

Segundo o líder da AfD em Brandemburgo, Andreas Kalbitz, não houve pressão da sigla para Wagner renunciar ao cargo interno. "O partido apoia a liberdade de culto", afirmou Kalbitz, que disse ter ficado surpreso com a conversão.

O próprio Wagner também rejeitou a ideia de pressão e diz que "nada mudou".

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"O partido não tem nenhum problema com isso", segundo o porta-voz Daniel Friese, que citou a existência de grupos de interesse muçulmano, cristão e homossexual dentro da AfD.

O programa partidário da sigla, no entanto, trata o islã como ameaça à Alemanha.

"O islamismo não pertence à Alemanha. Na sua propagação e na presença de um número cada vez maior de muçulmanos, a AfD vê um grande perigo para nosso Estado, nossa sociedade e nossa ordem de valores."

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Em entrevistas anteriores, Wagner havia admitido que admirava Merkel pelo fato de ter crescido na antiga Alemanha Oriental e estudado em Moscou ?a chanceler fala russo fluentemente. No ano passado, porém, ele disse estar "totalmente errado". "A Alemanha virou outro país", segundo ele, depois da abertura aos refugiados em 2015.

O episódio deve estremecer ainda mais o arcabouço ideológico da AfD, que se refere à comunidade LGBT como "minoria barulhenta" em seu programa, mas tem como líder no Parlamento a deputada lésbica Alice Weidel, que já se manifestou contra o casamento gay.

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