May diz que Londres seguirá a favor do livre comércio após deixar a UE
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DIOGO BERCITO, ENVIADO ESPECIAL
ZURIQUE, SUÍÇA (FOLHAPRESS) - Em seu discurso durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, a primeira-ministra britânica, Theresa May, afirmou nesta quinta-feira (25) que o Reino Unido continuará a defender o livre comércio mesmo após deixar a União Europeia.
A uma sala preenchida apenas pela metade, ofuscada por outros líderes internacionais, ela tentou convencer investidores de que o Reino Unido não deixará de ser um bom destino para suas empresas e capital, mesmo quando já não pertencer à UE.
"O livre mercado leva à tomada de risco que levou a grandes avanços", disse, descrevendo o empreendedorismo como "uma força para o bem". A primeira-ministra afirmou que a estratégia de negócios do Reino Unido fará desse país "um dos melhores lugares do mundo para fundar e gerenciar uma empresa".
Dentro de sua promessa de que o país será pioneiro em inovação, vantajoso a investidores, May pediu que redes sociais como Facebook e Twitter se esforcem mais para proteger usuários, em especial as crianças. "Queremos que o Reino Unido seja um líder em regulações amigáveis à inovação, e isso significa ser o lugar mais seguro do mundo para alguém estar on-line", ela afirmou.
"As empresas têm de incrementar suas responsabilidades. Firmas não podem simplesmente cruzar os braços enquanto suas plataformas são utilizadas para facilitar abuso infantil, escravidão moderna ou a divulgação de conteúdo extremista."
'BREXIT'
O discurso de May empolgou menos do que o de outros líderes, como o presidente francês, Emmanuel Macron, e a chanceler alemã, Angela Merkel. Com o isolamento de Londres, o eixo Paris-Berlim tem se firmado como o fundamento do bloco europeu.
Macron, por exemplo, discursou um dia antes em Davos e foi aplaudido de pé depois de defender o multilateralismo. Seu objetivo, disse, é "fazer uma França mais competitiva e inovadora em uma Europa empoderada" -ao contrário de May, ele defende uma maior integração dentro do bloco econômico.
Merkel foi também bem recebida no resort alpino de Davos, onde lamentou que o Reino Unido tenha decidido deixar a União Europeia. Apesar de Merkel ter dito esperar uma "grande parceria" com a primeira-ministra britânica, negociadores europeus têm feito poucas concessões ao tratar do "brexit".
Mesmo com a insistência de May, a União Europeia ainda não iniciou formalmente as conversas sobre um futuro acordo comercial com o Reino Unido para o dia após sua saída do bloco. Há crescente receio de que a separação -prevista para março de 2019- seja feita de maneira desordenada. Com isso, a economia britânica deixará de ter acesso ao mercado comum europeu, que reúne 500 milhões de consumidores.
Esperava-se, portanto, que May aproveitasse seu discurso em Davos para esclarecer os próximos passos, o que ela não fez.