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Homicídios caem, e roubos de carga crescem em SP

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ROGÉRIO PAGNAN

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os índices de violência bateram recordes no Estado de São Paulo em 2017 -tanto positivamente, com a queda de homicídios dolosos, quanto negativamente, com a alta dos roubos de carga.

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O principal dado positivo, segundo números divulgados pelo governo Geraldo Alckmin (PSDB) nesta quarta (24), é a diminuição na taxa de homicídios dolosos, que chegou a 8,02 por 100 mil habitantes -a menor desde 2001, quando começou a série histórica.

Naquele ano, a taxa de assassinatos era de 35,6 por grupo de 100 mil no Estado. Em número absolutos, os crimes passaram de 3.674, em 2016, para 3.503, queda de 4,65%.

"É uma marca que eu reputo como muito importante. Não estamos falando de números simplesmente. São vidas poupadas", disse Mágino Alves Barbosa Filho, secretário da Segurança Pública.

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Pelas contas do governo, considerando a taxa do começo deste século, a redução acumulada significa 130 mil assassinatos a menos em São Paulo ao longo dos anos.

No país, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a taxa de mortes violentas intencionais foi, em 2016, de quase 30 por 100 mil -no Sergipe, por exemplo, essa taxa chegou a 64.

Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum, afirma que a nova diminuição é relevante especialmente em um "contexto em que os homicídios estão crescendo praticamente no país todo".

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Mas cobra acesso mais detalhado a estatísticas (por exemplo, sobre as mortes a esclarecer) para "compreender melhor quais são as razões envolvidas na redução dos homicídios" e para que eventuais iniciativas sejam replicadas em outros lugares.

Em sua metodologia, o Fórum inclui os homicídios praticados por policiais de folga e serviço. Em São Paulo, o governo exclui a letalidade policial de suas contas. Por esses dados, a taxa paulista sobe para 11 mortes para cada grupo de 100 mil pessoas.

Embora com números ainda bastante elevados, os crimes de roubo e furto de veículos tiveram nova redução -a terceira desde 2014.

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Os roubos passaram de 77.949, em 2016, para 67.670 em 2017, uma queda de 13,1%, enquanto os furtos no Estado foram de 110.932 para 104.799, uma diminuição de 5,6%.

CARGAS E ESTUPROS

Pelo lado negativo, os dados do governo mostram que o Estado registrou no ano passado a maior quantidade de roubos de cargas em um só ano desde 2001: 10.584.

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Esse resultado significa um incremento de 6,6% em comparação a 2016, quando ocorreram 9.943 crimes e que também teve meses com aumentos recordes -especialmente no último trimestre.

Um exemplo do impacto desse tipo de crime pode ser sentido na periferia, que sofre restrição de entrega de produtos pelos Correios -conforme já mostrou a Folha de S.Paulo, praticamente um terço da cidade é afetada com isso.

Para o sociólogo Luis Flávio Sapori, o aumento dos roubos de carga -assim como a manutenção de roubos e furtos em elevados índices- demonstra que o Estado não investiu na investigação dos crimes patrimoniais como investiu nos assassinatos.

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"Essa elevação demonstra que os crimes de roubo ainda não mereceram atenção devida por parte do governo. Essa talvez seja uma contradição de São Paulo que deve servir de discussão para o restante do país: não adianta reduzir só homicídios. A violência no Brasil não se define apenas pelos homicídios. A violência cotidiana no país se define também pelos homicídios, roubos, estupros."

As estatísticas oficiais divulgadas nesta quarta pelo secretário da Segurança também revelam um aumento de 10,28% nos registros de estupro no ano passado em relação a 2016. Eles passaram de 10.055 casos, naquele ano, para 11.089 no ano passado.

Desde 2009, quando houve alteração da legislação, são considerados estupros todos os ataques sexuais contra homens e mulheres. Até então, só eram considerados estupros penetração vaginal.

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Tanto o secretário da Segurança quanto os especialistas dizem não ter uma explicação clara para a elevação desses registros no ano passado.

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