rimeiro-ministro espanhol pede que Catalunha desista de independência
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DIOGO BERCITO
MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - O premiê conservador espanhol, Mariano Rajoy, pediu nesta quinta-feira (5) que a Catalunha desista "o mais breve possível" de seu projeto de independência. Abandonar o separatismo, afirmou, é "a melhor solução" e "evita males maiores".
"O melhor é voltar imediatamente à legalidade", disse Rajoy à agência espanhola Efe em uma entrevista na sede do governo em Madri.
"É o que estão pedindo toda a sociedade, os editoriais dos jornais, os empresários, os sindicatos", ele afirmou.
No domingo passado (1º), em um plebiscito separatista, houve 90% dos votos no "sim" -mas apenas 42% dos eleitores participaram.
Partidos independentistas convocaram para esta próxima segunda-feira (9) um plenário para discutir os resultados da consulta popular e eventualmente declarar de uma maneira unilateral a sua separação da Espanha.
O Tribunal Constitucional, no entanto, suspendeu a sessão a partir de um recurso do Partido Socialista Catalão. A mesma corte havia também declarado que o plebiscito de domingo era ilegal, o que não impediu sua realização.
Com sua declaração, Rajoy se uniu aos discursos inflamados desta semana sobre a Catalunha. O rei Felipe 6º fora o primeiro, ao dizer na terça-feira que o governo catalão age com "deslealdade" ao pedir sua independência.
O presidente catalão, Carles Puigdemont, disse no dia seguinte que o rei havia "decepcionado muita gente".
Sobram poucas opções na manga do premiê, no entanto, se Puigdemont não cancelar seu projeto separatista.
Uma das medidas drásticas -o "mal maior" de Rajoy- seria utilizar o Artigo 155, que revoga temporariamente a autonomia catalã e pode forçar eleições regionais antecipadas. Há pressão política para tal gesto.
O ex-premiê conservador José Maríz Aznar (1996-2004) fez na quinta-feira uma crítica pública a Rajoy, dizendo que precisa "ter vontade para ativar o Artigo 155".
Se não o fizer, disse Aznar, "então deveria dar aos espanhóis a possibilidade de decidir que governo, com que proposta e com que apoio eleitoral" deve lidar com a crise catalã. Ou seja: ou Rajoy convoca eleições antecipadas na Catalunha, ou deixa o cargo, segundo Aznar.
Já a presidente do Parlamento regional catalão, Carme Forcadell, disse nesta quinta-feira que acionar o Artigo 155 "teria um efeito contraproducente, porque há muitas pessoas dispostas a defender o autogoverno e as instituições na Catalunha".
DADOS COMPROMETIDOS
A região espanhola da Catalunha tem hoje já uma série de liberdades, como seu próprio Parlamento e polícia, os chamados Mossos d'Esquadra. Mas sua classe política tem insistido, nos últimos anos, na necessidade de ter completa independência.
O governo em Madri, no entanto, diz que o separatismo catalão é ilegal, segundo o Tribunal Constitucional.
A polícia espanhola foi enviada à Catalunha para impedir o plebiscito de domingo, confiscando milhões de cédulas eleitorais e milhares de urnas. Páginas do governo catalão foram derrubadas da internet, assim como aplicativos de celular que informavam locais de votação.
Em meio a esse caos, o governo catalão deixou em descoberto os dados de mais de 5 milhões de cidadãos, segundo o jornal "El País".
As informações dos catalães com mais de 18 anos, utilizadas para realizar o plebiscito, teriam sido protegidas com protocolos vulneráveis. Seus números de identidade, datas de nascimento e códigos postais, por exemplo, seriam facilmente explorados por hackers.