Kazuo Ishiguro, autor de 'Os Vestígios do Dia', ganha Nobel de Literatura
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MAURÍCIO MEIRELES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro foi anunciado, na manhã desta quinta (5), no horário de Brasília, como o ganhador do prêmio Nobel de literatura deste ano.
O autor, um dos prosadores contemporâneos mais aclamados, tem publicados no Brasil livros como "O Gigante Enterrado", "Não me Abandone Jamais" e "Os Vestígios do Dia", que saem no país pela Companhia das Letras.
"Vestígios..." já havia rendido ao autor o Man Booker Prize, outro dos grandes prêmios internacionais de literatura, em 1989.
O anúncio foi dado por Sara Danius, secretária permanente da Academia Sueca, instituição que concede o prêmio. Ela destacou que a obra de Ishiguro tem "grande força emocional" e "desvendou o abismo sob nossa sensação ilusório da conexão com o mundo".
Danius afirmou ainda que, contudo, diferentemente de Proust, o autor não está interessado no resgate do passado, mas em explorar o que é preciso esquecer para sobreviver -não só no plano individual, mas também social.
Ela descreveu ainda o trabalho do autor como uma mistura de Jane Austen e Franz Kafka. "Mas é preciso acrescentar um pouco de Marcel Proust, misturar, mas não muito, e então se chega à escrita dele", disse.
Nascido em Nagasaki, no Japão, ele se mudou com a família aos cinco anos, nos anos 1960, para o Reino Unido -e só voltaria a seu país de origem 30 anos depois. Não à toa, sua obra é escrita em inglês.
Como em outros anos, as casas de apostas erraram. Ishiguro não era o favorito das listas, que incluíam Ngugi wa Thiong'o, Haruki Murakami e Margaret Atwood, entre outros. Ele receberá como prêmio 9 milhões de coroas suecas (R$ 3,5 milhões).
LIVROS PUBLICADOS NO PAÍS
- "OS VESTÍGIOS DO DIA"
Um mordomo à moda antiga se ressente pela decadência da aristocracia britânica no entreguerras e pelo fato de ter um novo patrão que não dá a mínima para o emaranhado de rituais que orientam sua vida.
- "NÃO ME ABANDONE JAMAIS"
Triângulo amoroso se passa em um internato onde todos os "alunos" são clones, produzidos com a única finalidade de servir de peças de reposição (no caso, seus órgãos).
- "O GIGANTE ENTERRADO"
Obra trata de um velho casal que viaja por uma paisagem traiçoeira e sem lei para tentar encontrar seu filho, enquanto tateiam a névoa do esquecimento que parece ter se abatido sobre a terra devido a uma maldição.
- "NOTURNO"
Nas cinco histórias há música e cair da noite a enquadrá-las cenograficamente. Mas o verdadeiro tema comum apenas se revela se o título for também tomado, metaforicamente, como alusão ao momento de esfriamento das esperanças de o talento naturalmente se ajustar ao sucesso, cujas condições se descobrem aleatórias, injustas e, por vezes, ridículas.
- "QUANDO ÉRAMOS ÓRFÃOS"
- "O DESCONSOLADO"