ATUALIZADA - Para Putin, é incerto êxito de ataque a Pyongyang
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Opositor declarado de uma intervenção estrangeira na Coreia do Norte, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quarta-feira (4) que não há certeza de sucesso de um ataque armado porque o regime do ditador Kim Jong-un pode ter instalações militares escondidas.
"Será possível um ataque global contra a Coreia do Norte para desarmá-la? Sim. Atingirá seu objetivo? Não sabemos. Quem sabe o que eles têm lá e onde. Ninguém sabe com 100% de certeza, já que é um país fechado."
A abordagem cautelosa de Putin destoa do tom adotado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que tem repetidamente feito ameaças ao regime comunista e pedido a imposição de sanções econômicas cada vez mais duras.
Outro país que segue o mesmo princípio é a China, aliado de Pyongyang, embora tenha adotado nas últimas semanas punições no comércio exterior que reduzem drasticamente a disponibilidade financeira do regime.
Nesta quarta, Trump escreveu em uma rede social que disse ao secretário de Estado, Rex Tillerson, que este estava "perdendo tempo tentando negociar com o homem do foguete [Kim Jong-un]".
Em seu primeiro discurso na Assembleia-Geral da ONU, o republicano disse que "se [os EUA] forem forçados a se defender ou a defender seus aliados, não teremos outra escolha que destruir totalmente a Coreia do Norte.
No início de agosto, o americano fez uma de suas mais contundentes ameaças ao país comunista ao declarar que "eles [o regime de Kim Jong-un] enfrentarão fogo e fúria como o mundo jamais viu".
Putin, por sua vez, tem advogado pela adoção de incentivos econômicos e por uma diplomacia atuante que permita negociações entre as potências e a ditadura.
"Mais sanções são uma estrada a lugar nenhum", afirmou o presidente russo, frisando que cerca de 40 mil norte-coreanos trabalham na Rússia. Sabe-se que estes trabalhadores enviam parte de seus salários com frequência ao regime comunista.
O russo também disse que seu país tem mais razões que a maioria dos países para se preocupar com o programa de mísseis balísticos de Pyongyang, já que o local onde as forças de Pyongyang realizaram seus testes nucleares fica a menos de 200 km de distância da fronteira russa.