Leia a última edição Siga no Whatsapp
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Geral

publicidade
GERAL

Presença de criança em performance com nudez provoca reações distintas

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

GUILHERME GENESTRETI, GUSTAVO FIORATTI, MAURÍCIO MEIRELLES, MARIA LUÍSA BARSANELLI, ISABELLA MENON E RAFEL GREGORIO

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A releitura dos "Bichos", esculturas de Lygia Clark, em performance do bailarino Wagner Schwartz, virou um bicho de sete cabeças nesta sexta (29). Foi o quarto evento artístico a gerar protestos conservadores, sequência iniciada com o cancelamento, em 10/9, da exposição "Queermuseu", em Porto Alegre.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

A confusão em torno de "La Bête", a performance, começou com a publicação de um vídeo na internet: a imagem mostra o intérprete e coreógrafo nu, deitado. Uma criança vai até ele e toca em seu pé e em seu tornozelo.

Foi o suficiente para despertar manifestações contra o suposto incentivo à pedofilia. Uma petição on-line reunia, até a conclusão desta edição, mais de 81 mil assinaturas pelo fechamento do MAM.

Ações similares aconteceram no caso da mostra "Queermuseu" e da peça "O Evangelho Segundo Jesus, Rainha do Céu", que teve sessão no Sesc Jundiaí cancelada por liminar porque mostrava uma versão transexual de Cristo.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

A defesa entrou em campo. Após o ataque ao MAM, grupos e instituições culturais e políticas expressaram-se a favor do museu. Masp, Sesc e Videobrasil, entre outros, assinaram carta pública em apoio à liberdade de expressão. Paço das Artes e Masp postaram nota no Facebook.

O secretário municipal da Cultura de João Doria (PSDB), André Sturm, também publicou vídeo em defesa da liberdade artística. Ele, bem como o Ministério da Cultura e a Secretaria do Estado da Cultura, apontaram em suas manifestações sobre o caso cuidados que atos de expressão artística devem ter com crianças.

PAIS E FILHOS

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Advogados e membros do Judiciário ouvidos pela reportagem dizem que o problema está longe de incitação à pedofilia. A publicação do vídeo é o que mais pode configurar risco à criança. A ausência de classificação etária também infringe o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente).

Na própria sexta, o Ministério Público de São Paulo abriu investigação, para ordenar que sites como o YouTube e o Facebook retirem do ar, em até dez dias úteis, imagens da performance ?inclusive as notícias que reproduzam cenas que revelem a identidade da criança.

Para Dinovan Oliveira, membro da Comissão de Direito às Artes da OAB-SP, associar obras com nudez à pedofilia à erotização é histeria.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"A liberdade de expressão artística é um valor fundamental, que deve ser defendida. Não consigo enxergar responsabilidade do MAM, que cumpriu sua obrigação ao orientar os visitantes sobre a existência de um nu."

Antonio Carlos Malheiros, 66, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, considera que houve desrespeito ao ECA. "Levar a discussão para um âmbito de pedofilia passa da medida."

O principal erro apontado pelos profissionais é a ausência de classificação etária em local visível. O MAM apenas fez um aviso de que havia nudez na performance.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo o Ministério da Justiça, exposições devem ser autoclassificadas, seguindo um guia que a pasta fornece.

O documento aponta a possibilidade de classificação etária livre em obras com nudez: "Nem sempre a ocorrência de cenas que remetem a sexo ou nudez são prejudiciais ao desenvolvimento psicológico da criança".

Mesmo com a classificação indicativa, a decisão de liberar a criança ainda é prerrogativa dos pais. No caso do MAM, a criança estava acompanhada da mãe. "O que se espera é que eles saibam tomar conta dos filhos, como fariam com relação à TV. Não podemos admitir um Estado invasivo", diz Malheiros.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Segundo o magistrado, uma mãe pode ser punida. "Um magistrado mais rigoroso poderia suspender temporariamente o poder familiar", diz. "Essa sequência de campanhas contra peças, exposições, quadros e, agora, uma performance, eu vejo como censura. Mas é preciso ter uma proporcionalidade quando tratamos de menores."

Para ele, a divulgação do vídeo pode colocar a criança "em situação humilhante" ?e gerar processo . "Não sabemos o que isso pode causar na 'cabecinha' da criança".

Oswaldo Peregrina Rodrigues, 53, professor de direito civil na PUC-SP, lembra que "os pais são os detentores do poder familiar". São eles que devem avaliar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Isso não significa que eles possam agir em prejuízo da criança, diz. "O princípio geral é o do melhor interesse da criança e do adolescente."

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email

Últimas em Geral

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline

TNOnline TV