ATUALIZADA - EUA reduzem missão em Cuba após supostos ataques
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ISABEL FLECK
WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Os Estados Unidos vão retirar a maioria dos funcionários de sua embaixada em Havana depois que possíveis ataques sônicos feriram 21 americanos associados com a representação diplomática. O anúncio foi feito nesta sexta-feira (29) pelo secretário de Estado, Rex Tillerson.
Funcionários da embaixada e familiares atingidos apresentaram desde fevereiro sintomas como perda de audição permanente, lesão cerebral leve, problemas de visão, fortes dores de cabeça, tontura e dificuldade para dormir.
A Casa Branca diz que ainda está investigando o que chama de "ataques específicos", mas que até agora não descobriu "quem ou o quê" estaria causando esses sintomas nos funcionários na ilha.
Cuba nega ter relação com as misteriosas ações, e os EUA têm evitado culpar Havana, já que o regime de Raúl Castro tem colaborado com as investigações e permitido a atuação do FBI (polícia federal americana) na capital.
Segundo membros do governo ouvidos pela imprensa americana, os EUA consideram que um terceiro país, como a Rússia, poderia ser responsável pelos ataques.
"Até que o governo de Cuba possa garantir a segurança de nossos diplomatas, nossa embaixada será reduzida à equipe de emergência, para minimizar o número de diplomatas sob risco de exposição", disse Tillerson, em nota.
O pessoal que continuará em Havana prestará apenas apoio de emergência a americanos em Cuba. A emissão de vistos está suspensa por tempo indeterminado.
Tillerson destacou que a decisão de reduzir a presença diplomática foi feita por questão de segurança, e não por razões políticas. "Mantemos relações diplomáticas e nosso trabalho em Cuba continua guiado pelos interesses de segurança nacional e política externa dos EUA."
A decisão foi anunciada três dias depois de o secretário se encontrar com o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, em Washington. Segundo funcionários do Departamento de Estado, Rodríguez não teria dado garantias suficientes sobre a segurança dos funcionários americanos da embaixada em Havana.
Apesar de não acusar o regime de Castro, o governo dos EUA tem ressaltado a responsabilidade que os cubanos têm sobre a segurança dos americanos em seu território.
Os EUA também divulgaram alerta para que cidadãos americanos evitem viajar a Cuba. "Não temos informações de que cidadãos dos EUA tenham sido afetados, mas os ataques ocorreram em residências diplomáticas dos EUA e em hotéis frequentados por americanos", disse Tillerson.
Todas as reuniões passarão a ser realizadas em solo americano, e futuras viagens de trabalho serão adiadas.
O secretário americano teria considerado fechar a embaixada, reaberta em julho de 2015 após 54 anos, mas desistiu diante da incerteza sobre o envolvimento de Cuba.
Os ataques, iniciados em dezembro, foram revelados em agosto, quando o governo anunciou que dois diplomatas cubanos foram expulsos dos EUA. Os últimos ataques ocorreram em agosto.
Em junho, o presidente Donald Trump anunciou que estava "cancelando" a aproximação entre os países iniciada em 2014. Na prática, ele restabeleceu restrições para viagens de americanos e proibiu transações entre empresas americanas e entidades militares cubanas.