ATUALIZADA - Militares deixam a Rocinha após 1 semana
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RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Após uma semana de cerco, integrantes das Forças Armadas deixaram a favela da Rocinha na manhã desta sexta-feira (29), local que até então vinha sendo palco de conflitos diários entre traficantes em busca do controle da comunidade da zona sul do Rio.
No viaduto de acesso à favela, uma faixa foi estendida com os dizeres "intervenção militar" e um pedido para que as pessoas buzinassem em apoio. Alguns carros correspondiam ao pedido e outros passavam sem se manifestar.
Duas bandeiras do Brasil também foram estendidas sobre outras que pediam paz na comunidade, essas colocadas por moradores locais.
Um dia antes, o ministro da Defesa, Raul Jungmann (PPS-PE), já havia anunciado a retirada das Forças Armadas. Na visão dele, os militares cumpriram a missão designada e não havia mais necessidade de permanência na região. "Neste momento, a Rocinha está estabilizada", disse.
O anúncio, no entanto, foi feito no mesmo dia em que um crime levou pânico a moradores da favela e mostrou que, a despeito da forte presença policial e de militares, os traficantes continuavam na Rocinha. À tarde, dois menores de idade foram sequestrados e torturados por traficantes na parte alta do morro.
A PM também confirmou que um suposto traficante morreu na noite de quinta durante confronto com as forças de segurança. Policiais patrulhavam a região na favela conhecida com Vila Verde, quando teriam sido atacados por traficantes armados. O homem foi ferido e, levado ao hospital, não resistiu. Com ele foi encontrada uma pistola.
SEM OS MILITARES
Com a saída das tropas federais, a função de estabelecer a ordem e a segurança na região caberá às polícias Militar e Civil. Já nesta manhã, homens da UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) da Rocinha, do Bope (Batalhão de Operações Especiais) e da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) circulavam pelos acessos à favela.
No total, quase 1.000 homens do Exército, da Marinha e da Aeronáutica atuaram na operação de cerco à comunidade, que conta com cerca de 80 mil moradores.
Os militares estavam no local desde a sexta-feira anterior, para apoiar a ação da Polícia Militar. Naquele dia, uma longa troca de tiros no morro levou pânicos aos moradores da cidade, o que fez crescer a pressão para o deslocamento das Forças Armadas.
Em uma semana, as forças de segurança prenderam 24 suspeitos na Rocinha. Também foram apreendidos 25 fuzis, 14 granadas e sete bombas de fabricação caseira, segundo o governo do Estado.
Três suspeitos foram mortos durante confrontos entre policiais e criminosos.
GUERRA DO TRÁFICO
Os confrontos na favela ocorreram depois de uma tentativa de invasão, em 17 de setembro, quando criminosos leais ao ex-chefe do tráfico Antônio Bonfim Lopes, o Nem, atacaram o bando de Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157, que passou a ditar as ordens na favela após a prisão do antecessor, em 2011.
O objetivo de Nem, que cumpre pena em Porto Velho (RO), é retomar o controle das bocas de fumo. Mesmo detido e fora do Estado, ele continua a dar ordens na quadrilha.
Já o ex-aliado e agora rival, Rogério 157, está foragido e é procurado pela polícia. Na quinta (28), forças especiais da PM fizeram uma operação no Complexo da Maré, conjunto de favelas da zona norte da cidade, após denúncias de que o traficante poderia estar escondido nas favelas Nova Holanda e Parque União. Ele não foi encontrado.
Nesta sexta, o ministro da Defesa afirmou que, se Rogério 157 voltar à favela da Rocinha, as Forças Armadas também retornarão à comunidade. "Se ele voltar, nós voltaremos."
Apesar de considerar positivo o balanço de dois meses da presença dos militares atuando na segurança do Rio, Jungmann afirmou que "o que foi construído ao longo de décadas não vai ser desfeito em dois meses".
O ministro disse que se reunirá na próxima terça (3) com a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, para a discussão da criação de uma força-tarefa composta por juízes, procuradores e policiais dedicada ao Rio.