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Ordem de Trump facilita punição a chavistas

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ISABEL FLECK

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) - Interpretada por ativistas como um "disfarce" para um veto antimuçulmano, a inclusão da Venezuela no novo decreto anti-imigração anunciado neste domingo (24) é "estratégica" e dará mais liberdade para sancionar membros do regime de Nicolás Maduro, segundo funcionários do governo americano.

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De acordo com o novo texto, que entrará em vigor em 18 de outubro, serão suspensos vistos de turismo e negócios de funcionários do chavismo, incluindo do Serviço de Inteligência Nacional Bolivariano (Sebin, polícia política de Maduro). Porém, não serão divulgadas a lista dos barrados nem a quantidade de pessoas vetadas.

A decisão foi uma forma de aumentar a pressão a Maduro sem precisar de uma nova rodada de sanções. Esta última geralmente prevê uma lista fixa de pessoas que são alvos de punições --e o decreto permitirá que nomes sejam acrescentados e retirados com facilidade e discrição, segundo um funcionário.

Os venezuelanos que não poderão entrar nos EUA só saberão da restrição ao chegarem ao território americano.

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Em nota, o regime venezuelano disse que o governo de Donald Trump tomou uma decisão "irracional" ao colocar a Venezuela mais uma vez como uma ameaça à segurança nacional dos EUA.

"Esse tipo de lista é incompatível com a lei internacional e constitui, ela mesma, uma forma de terrorismo psicológico e político."

O novo decreto acrescenta ainda na lista proibida os cidadãos da Coreia do Norte e do Chade, e mantém os de Irã, Líbia, Somália, Síria e Iêmen. O Sudão saiu da lista na terceira ordem presidencial.

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Segundo o governo Trump, esses países têm "protocolos inadequados" de triagem e compartilhamento de informações em relação a possíveis ameaças e apresentam "fatores de risco" terrorista.

O anúncio foi feito no dia em que expirou o segundo decreto anti-imigração, anunciado em março e, que, como o primeiro, de janeiro, era questionado na Justiça.

Nesta segunda, a Suprema Corte cancelou a audiência programada para 10 de outubro, na qual a defesa do governo apresentaria seus argumentos em favor do texto. O tribunal pediu ainda que as partes envolvidas justificassem se pretendem seguir com o caso após o novo decreto.

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MENOS VISTOS

O primeiro decreto anti-imigração de Trump só vigorou por uma semana até ser suspenso por decisão judicial. O segundo foi bloqueado antes mesmo de entrar em vigor.

Mesmo assim, o governo conseguiu limitar a entrada dos cidadãos desses países, reduzindo consideravelmente os vistos de não imigrante emitidos para esses grupos.

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Segundo um levantamento da Folha nos dados do Departamento de Estado, nos seis meses entre março e agosto, os 15.031 vistos emitidos para os cidadãos de Iêmen, Síria, Libia, Irã, Somália e Sudão representam 28% do total de vistos entregues para os mesmos países nos 12 meses de 2016.

No caso de Iêmen e Síria, houve uma queda de mais de 58% na média dos vistos emitidos nesse período em comparação com a média mensal do ano passado.

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