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Arquipélago dos Alcatrazes, em SP, será aberto para turismo náutico

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REGINALDO PUPO

SÃO SEBASTIÃO, SP (FOLHAPRESS) - Após ser por décadas local de exercícios de tiros da Marinha, o Arquipélago dos Alcatrazes, a 45 km do porto de São Sebastião, no litoral norte de São Paulo, será aberto para exploração turística a partir de 2018.

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A portaria que autorizará a visitação pública será assinada nesta quarta-feira (13) pelos ministros do Meio Ambiente, Sarney Filho, e da Defesa, Raul Jungmann.

Agora batizado de Refúgio dos Alcatrazes pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), o maior ninhal de aves marinhas do Sul e Sudeste brasileiro poderá ser explorado por agências de turismo para a prática de mergulho amador e contemplação das aves e contribuirá para o fomento do turismo náutico entre Angra dos Reis (RJ) e Guarujá (SP), trecho que concentra milhares de embarcações de passeio. A visita em terra continuará proibida, assim como qualquer tipo de pesca.

Mesmo com a assinatura da portaria, a visitação ocorrerá somente a partir do início do próximo ano. De acordo com a coordenadora de Uso Público - Núcleo de Gestão Integrada do ICMBio Alcatrazes, Thaís Farias Rodrigues, as operadoras turísticas serão cadastradas pelo órgão e os guias passarão por treinamento com informações básicas sobre o local e conhecimentos sobre o plano de manejo, que cria regras para a exploração turística.

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Apesar da abertura para visitação, embarcações de recreio somente poderão navegar no entorno de Alcatrazes com autorização do ICMBio e a quantidade deverá ser limitada a dez barcos em cada extremidade do arquipélago.

"Manteremos uma equipe para fiscalizar eventuais abusos que, se ocorrerem, resultarão em multas e apreensão das embarcações", disse. Segundo ela, na alta temporada, poderá haver um rodízio para que a quantidade de dez barcos seja respeitada.

FAUNA E FLORA

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Desde a década de 90, ambientalistas vinham solicitando a transformação de Alcatrazes em um parque nacional marinho, no auge dos exercícios de tiros da Marinha. Após anos de discussões, sem êxito, o movimento passou a cobrar a recategorização do lugar para transformá-lo em um santuário ecológico.

Somente no ano passado o plano de manejo do agora Refúgio de Alcatrazes foi concluído e levou oito meses para ser publicado, o que ocorreu em janeiro deste ano.

Os exercícios da Marinha continuam, mas numa escala menor. As bombas, agora, são direcionadas aos alvos instalados na Ilha da Sapata, que possui menos vegetação.

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As ilhas que compõem o arquipélago totalizam uma área de 67.364 hectares (o equivalente a 94.347 campos de futebol), sendo a maior unidade de conservação marinha de proteção integral das regiões Sul e Sudeste do país e a segunda maior do Brasil.

Já foram catalogadas mais de 1.300 espécies de flora e fauna, sendo que 93 delas estão sob algum grau de ameaça de extinção. Ao menos 259 espécies de peixes estão protegidas, número superior a Fernando de Noronha.

Os turistas que visitarem o Refúgio de Alcatrazes, com sorte, poderão observar as frequentes aparições de baleias e golfinhos. As mais comuns são as baleias-de-Bryde e as jubartes. Já foram registradas 465 espécies de invertebrados bentônicos, pelo menos 60 espécies de invertebrados terrestres e 64 espécies de macroalgas.

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Há três espécies endêmicas de animais: a jararaca, a perereca e a rã de Alcatrazes, extremamente ameaçada de extinção, segundo o ICMBio.

O Refúgio dos Alcatrazes se destaca pela quantidade de aves que vivem ou apenas descansam por ali. Mais de cem espécies foram catalogadas, sendo que 37 são residentes, entre aves oceânicas, insulares costeiras, migrantes de longo percurso (praieiras), aquáticas costeiras, terrestres e florestais.

Ainda segundo o ICMBio, 12 dessas aves são ameaçadas de extinção, sendo que seis são residentes, dependendo exclusivamente de Alcatrazes para procriação.

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