ATUALIZADA - Exercício dos EUA aumenta tensão com Coreia do Norte
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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após o lançamento de um míssil norte-coreano que sobrevoou o território japonês na última segunda-feira (28), as forças aéreas dos Estados Unidos, da Coreia do Sul e do Japão realizaram nesta quinta-feira (31) exercícios sobre a península coreana.
As manobras envolveram dois bombardeiros americanos supersônicos com capacidade nuclear e quatro caças furtivos dos EUA, além de caças sul-coreanos.
As atividades aconteceram como parte dos exercícios militares anuais entre EUA e Coreia do Sul, que estão em andamento desde a semana passada.
Realizadas em território sul-coreano, as manobras contam com milhares de soldados e se encerram nesta quinta. Durante as atividades, simulações de computador são projetadas para preparar EUA e Coreia do Sul para uma eventual guerra contra a Pyongyang.
"As ações da Coreia do Norte são uma ameaça a nossas aliados, parceiros e ao nosso território", disse o general Terrence J. O'Shaughnessy, comandante da Força Aérea americana no Pacífico.
"Essa complexa missão claramente demonstrou nossa solidariedade com nossas aliados e destacou o aumento da cooperação para se defender dessa ameaça regional em comum", disse o militar.
Pyongyang se opõe a atividades militar conujta e disse que os exercícios são um ensaio geral de uma invasão a seu território. Um editorial do jornal "Rodong Sinmun", do regime norte-coreano, afirmou que tais atividades podem resultar em "verdadeiros combates".
Estados Unidos e Coreia do Sul, por sua vez, descrevem os exercícios como de "natureza defensiva".
ACUSAÇÕES
Também nesta quinta, a Coreia do Norte advertiu o Japão sobre o risco de "autodestruição iminente" do país por sua aliança com os EUA. O "vínculo militar" entre os dois aliados se tornou uma "séria ameaça" para a península coreana, disse a agência de notícias norte-coreana KCNA.
Antes, o premiê japonês, Shinzo Abe, denunciou o lançamento do míssil norte-coreano que sobrevoou a ilha de Hokkaido como "uma ameaça grave, séria e sem precedentes". Ele ainda disse concordar com o presidente americano, Donald Trump, sobre a necessidade de "incrementar a pressão exercida sobre a Coreia do Norte".
A tensão na península coreana aumentou após o regime norte-coreano testar mísseis balísticos intercontinentais em julho, o que gerou respostas de Seul e Washington.
Nesta quarta-feira (30), Trump afirmou que "conversar não é a resposta" para resolver a crise.
Ele já havia declarado anteriormente que as armas americanas estão "engatilhadas e carregadas" e que o país iria responder com "fúria e fogo" caso Pyongyang não interrompesse as ameaças.
SANÇÕES
A escalada nas tensões e o lançamento do míssil norte-coreano aumentou a pressão internacional por novas sanções contra o país.
Nesta quinta, a primeira-ministra inglesa, Theresa May, se encontrou com Abe para discutir o assunto.
"O primeiro-ministro Abe e eu concordamos em trabalhar juntos com a comunidade internacional para aumentar a pressão contra a Coreia do Norte, incluindo um aumento no ritmo das sanções implementadas", disse ela.
A posição americana sobre o assunto recebeu crítica da China, principal aliada do regime da Coreia do Norte.
Segundo Hua Chunying, porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, a questão norte-coreana é séria e não deve ser tratada como um jogo de videogame.