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ATUALIZADA - Macron propõe flexibilização da legislação trabalhista da França

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DIOGO BERCITO

LONDRES, REINO UNIDO (FOLHAPRESS) - O presidente francês, Emmanuel Macron, apresentou na quinta (31) os detalhes de sua reforma trabalhista.

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Antes de ser proposta oficialmente, a medida já vinha carcomendo a popularidade do centrista, eleito por 66% dos votos em maio e hoje aprovado por apenas 37%.

Macron planeja implementar a reforma por meio de decreto presidencial, o que significa que vai saltar os legisladores. O Parlamento, onde ele tem a maioria, já apoia a medida. O texto deve ser apresentado ao conselho de ministros no dia 22.

O objetivo do governo é flexibilizar o mercado de trabalho, a partir da crença de que há hoje demasiados entraves à contratação e demissão. O presidente quer reduzir o desemprego, hoje em 10%.

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Essa porcentagem -quase o dobro daquela registrada em países como Alemanha, Holanda e Reino Unido- é uma das questões socioeconômicas urgentes no país.

Um dos itens centrais da reforma trabalhista é que as empresas terão mais liberdade para negociar a jornada e o salário com seus funcionários. Em firmas com até 50 empregados, não será necessário incluir um membro do sindicato durante tratativas.

Neste sentido, as medidas são semelhantes à reforma do governo Michel Temer no Brasil, também com enfoque em negociações diretas.

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Os sindicatos dizem que, sem poder de barganha, empregados serão prejudicados. Há um grande protesto marcado para 12 de setembro.

Outra proposta é limitar as indenizações a demissões sem justa causa, acelerando sua tramitação nos tribunais.

"Para patrões e investidores externos, as regras atuais são um freio na contratação e no investimento", disse o premiê, Édouard Philippe.

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Apesar dos cortes propostos, há também concessões no texto. Indenizações por demissão podem subir de 20% para 25% do salário por ano trabalhado na firma.

A reforma trabalhista é o primeiro grande projeto político de Macron, eleito pelo movimento independente República em Marcha.

Outros governantes tentaram implementar essa reforma. Diante da indignação popular, abandonaram o plano.

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Foi o caso do socialista François Hollande, que deixou o cargo em maio deste ano após chegar a um recorde de impopularidade -era aprovado por apenas 4%.

Os opositores às medidas insistem que a reforma é contrária à legislação trabalhista construída pelo país nos dois últimos séculos e considerada ali como uma espécie de bem público.

O código tem quase 3.000 páginas e versa sobre salários, jornada de trabalho e até sobre padrões para a ventilação de escritórios.

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Este desafio, se vencido por Macron, pode lhe dar força política para o passo seguinte: reformar a própria União Europeia. Para isso, ele defende uma aproximação com a Alemanha da chanceler Angela Merkel e um debate com cidadãos.

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