Partido Trabalhista passa a defender 'soft brexit'; negociações continuam
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DIOGO BERCITO
MADRI, ESPANHA (FOLHAPRESS) - Reino Unido e União Europeia voltaram a se sentar à mesa em Bruxelas nesta segunda-feira (28) para sua terceira rodada de conversas sobre o "brexit", a saída britânica do bloco europeu.
Os impasses continuam todos ali -incluindo a conta desse divórcio, estimada em R$ 280 bilhões. Mas desta vez as discussões vêm com uma surpresa: um novo posicionamento do Partido Trabalhista britânico, de oposição.
Essa sigla de centro-esquerda anunciou no domingo (27) que passa a defender o "soft brexit", a versão mais suave da saída britânica.
Os trabalhistas apoiam, por exemplo, a permanência do Reino Unido no mercado comum europeu, que congrega 500 milhões de consumidores, por um período de transição de até quatro anos.
Com o plano, a livre circulação de pessoas também seria temporariamente mantida.
Esse modelo é bastante diferente da visão de "brexit" implementada pelo Partido Conservador, no governo. A primeira-ministra, Theresa May, prefere retirar o país do mercado comum.
O "brexit" foi aprovado e formalmente iniciado em março de 2017. O processo dura dois anos.
A mudança drástica na posição trabalhista levou, na segunda-feira (28), a críticas de membros do próprio partido.
A ideia de que o Reino Unido possa manter as regras de livre movimentação europeia e aceitar a jurisdição do Tribunal de Justiça da União Europeia incomoda legisladores trabalhistas.
Há temor de que a defesa do "soft brexit" leve à alienação da população -que aprovou o "brexit" em 2016.
Um parlamentar disse ao jornal "Guardian", por exemplo, que a política do partido causará dano ao apoio aos trabalhistas em regiões que votaram pelo "brexit".
O Ukip (Partido da Independência do Reino Unido, de direita ultranacionalista) acusou o Partido Trabalhista de trair esses eleitores.
SEGURANÇA
As negociações entre Reino Unido e União Europeia estão sendo realizadas em Bruxelas. As conversas devem se alongar semana adentro, ao menos até a quinta-feira (31), incluindo temas como os direitos dos expatriados. Há 3 milhões de cidadãos europeus na ilha.
Mas o Reino Unido tem se chocado contra um muro, ao insistir em negociar acordos comerciais futuros com o bloco europeu. Bruxelas se recusa -quer primeiro tratar de temas como a conta do divórcio, paga por Londres.
Outros temas espinhosos são a fronteira entre a Irlanda do Norte, que é parte do Reino Unido, e a Irlanda, membro da União Europeia. Não se sabe que tipo de controle pode haver entre os dois territórios, o que traz temores de novas disputas separatistas nessa região.
O Reino Unido participa das negociações em uma posição fragilizada, com a União Europeia insistindo no pagamento do divórcio e sem fazer concessões.
O negociador-chefe europeu, Michel Barnier, escreveu em um artigo no jornal francês "Le Monde" que o Reino Unido irá sofrer consequências por deixar o bloco econômico, prejudicando sua defesa e segurança.
"O ministro britânico da Defesa não poderá mais se sentar no conselho de ministros da Defesa, Londres terá que deixar a Europol [força policial europeia]", escreveu.
Barnier também disse que as instituições de defesa britânicas não receberão mais o financiamento europeu -uma dura mensagem à primeira-ministra May, em anos de crescente preocupação quanto à ameaça terrorista.