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ATUALIZADA - Rasguei uma lona para respirar, diz sobrevivente de naufrágio na Bahia

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JOÃO PEDRO PITOMBO E FRANCO ADAILTON

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Um dos sobreviventes do naufrágio de uma lancha com 124 pessoas a bordo na Grande Salvador relata ter sido coberto pela embarcação no momento do acidente, que ocorreu sob chuva forte.

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Matheus Ramos, 23, conta que estava sentado próximo a uma das laterais e que a lancha virou por cima dele. "Fui atingido no ombro esquerdo. Quando emergi, dei de cara com uma lona e tive que rasgá-la para poder respirar."

O pai do rapaz, o teólogo Marival Ramos, 51, havia pego uma lancha diferente, apenas meia hora antes do embarque do filho. Ao saber do acidente, correu para o terminal marítimo. "É um alívio muito grande vê-lo bem."

O acidente aconteceu por volta das 6h30, após a lancha deixar a praia de Mar Grande, no município de Vera Cruz. Até a tarde desta quinta, foram confirmadas 20 mortes, e ao menos 91 pessoas foram resgatadas com vida, segundo a Secretaria de Saúde do Estado e a Prefeitura de Vera Cruz. Entre os mortos, está uma criança de um ano.

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O técnico em informática Edvaldo Conceição, 31, embarcou na lancha que naufragou porque se atrasou. Ele ajudou a resgatar outras pessoas que se afogavam. "Algumas pessoas ainda ajudaram a resgatar, a colocar nos botes, mas infelizmente nem todos sobreviveram."

O sonoplasta Edvaldo Santos, 51, morador da ilha de Itaparica que faz o trajeto diariamente para trabalhar em Salvador, conta que ventava forte e que grandes ondas começaram a se chocar contra a lancha. "Uma primeira [onda] atingiu a embarcação, que ficou de lado e fez todos correrem pro lado oposto. Em seguida, uma segunda onda fez a embarcação virar", conta ele. "Muita gente caiu no mar." Para Edvaldo, a impressão é de que a lancha estava muito lotada.

Ele também reclamou da demora no resgate. "Levaram duas horas para resgatar as pessoas. Absurdo, pois a lancha estava próxima do atracadouro."

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Eduardo Aguadê, 65, outro sobrevivente, conta que a chuva e os fortes ventos fizeram entrar água na embarcação. A lancha virou, e os passageiros caíram na água. A maioria conseguiu subir em botes, que também caíram na água. Ele ajudou um idoso que se segurava numa mochila, que também reclamou da demora do resgate ?os dois ficaram cerca de duas horas à deriva.

Morenita Santana, 34, também moradora da ilha, disse que não havia segurança na lancha. "Nenhuma. Quando a gente percebeu, a embarcação já tinha virado por cima da gente", diz a faxineira, que viaja para a capital todas as quintas para trabalhar. Ela diz não ter tido tempo suficiente para colocar o colete salva-vidas.

NO PARÁ

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O naufrágio na Bahia ocorre quase dois dias após uma outra embarcação afundar no Pará com dezenas de passageiros a bordo. Ao menos 21 morreram.

Segundo os bombeiros, 49 pessoas estavam na embarcação. Outras 23 pessoas foram resgatadas com vida e cinco ainda continuam desaparecidas. Apenas na manhã desta quinta, 11 corpos foram localizados boiando no rio Xingu a cerca de quatro quilômetros do local onde o navio afundou. Eles foram levados ao ginásio municipal de Porto de Moz, onde passarão por perícia e serão identificados pelos familiares.

O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), que faz a medição oficial das condições climáticas do país, detectou uma concentração de nuvens do tipo cúmulo-nimbo, conhecidas por formar tempestades, na região de Porto de Moz na noite de terça, quando o acidente foi registrado.

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