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Irã decide não jogar a Copa do Mundo e pode ser punido pela Fifa; entenda

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A possibilidade de a seleção iraniana ficar fora da Copa do Mundo está perto de ser concretizada. Segundo o ministro dos Esportes, Ahmad Doyanmali, "não há condições" de o país, sob ataque de Estados Unidos e Israel, disputar o Mundial.

A decisão de se ausentar da mais importante competição de futebol do planeta pode render punições esportivas à seleção do Irã e à Federação de Futebol Iraniana, a serem aplicadas pela Fifa.

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O Estadão entrou em contato com a Fifa, mas a entidade não se manifestou sobre o tema até o momento. A Copa do Mundo será disputada entre junho e julho, com sedes nos em Canadá, Estados Unidos e México.

"A Fifa trataria a situação como retirada da competição e teria de adotar medidas administrativas e disciplinares, além de decidir sobre a substituição da seleção no torneio. A federação pode sofrer multa, ter de devolver valores recebidos da Fifa e até ser excluída de futuras competições, dependendo da decisão do Comitê Disciplinar e das circunstâncias do caso", analisa Cristiano Caús, sócio do CCLA Advogados.

O regulamento da Fifa prevê uma multa mínima de 250 mil francos suíços (R$ 1,6 milhão) para a seleção que abandonar o torneio em até 30 dias antes do início. O valor sobe para 500 mil francos suíços (R$ 3,2 milhões) caso a desistência seja consumada em um período menor que 30 dias antes da competição.

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"Além disso, a associação que desistir terá de reembolsar os valores recebidos da Fifa para preparação da equipe e outras verbas ligadas ao torneio, ou seja, não é só pagar a multa", afirma Higor Maffei Bellini, advogado especialista em direito desportivo.

No entanto, o artigo 6.3 do mesmo regulamento cita abandono provocado em "casos de força maior reconhecidos pela Fifa", ou seja, existe a possibilidade de a seleção iraniana se livrar de sanções.

"Isso abre espaço para a entidade considerar o contexto excepcional de guerra como fator relevante", salienta Bellini. "Então, mesmo com multas e sanções previstas, a forma concreta de aplicação ainda dependeria de como a Fifa enquadrasse juridicamente o caso".

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O sexto artigo do regulamento da Copa do Mundo de 2026, detalha o que pode ser feito em caso de desistência de uma seleção. Mas não deixa claro os critérios de substituição.

"Caso alguma Associação Membro Participante se retire e/ou seja excluída da Copa do Mundo, a Fifa decidirá sobre o assunto a seu exclusivo critério e tomará as medidas que julgar necessárias. A Fifa poderá decidir substituir a Associação Membro Participante em questão por outra associação", diz o artigo 6.7 do regulamento.

A Fifa tem a opção de manter o grupo G com somente três seleções ou convidar outra nação para preencher a vaga que os iranianos haviam conquistado com ótima campanha nas Eliminatórias Asiáticas. A guerra pode fazer o Irã abrir mão de disputar seu sétimo Mundial, o quarto consecutivo.

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O Irã tem jogos marcados em Inglewood, na Califórnia, contra a Nova Zelândia e Bélgica, em 15 e 21 de junho, e na cidade de Seattle, em Washington, contra o Egito, no dia 26 de junho.

Para a Copa, dar a vaga do Irã a outra seleção da Confederação Asiática é a solução natural. O Iraque disputa, no fim de março, a repescagem mundial, no México. Enfrentará, em jogo decisivo, o vencedor de Bolívia e Suriname. Se perder, se transformaria na principal opção. Se os iraquianos ganharem, os Emirados Árabes Unidos sobem na fila como o melhor asiático das Eliminatórias fora da Copa.

Como a regra dá à Fifa o direito de fazer o que quiser, e não necessariamente substituir o Irã por outro asiático, uma segunda possibilidade poderia aparecer: classificar quem perder para o Iraque no playoff, Bolívia ou Suriname. Isso não afetaria a isonomia na divisão de continentes por grupos, já que no Grupo G há um europeu, a Bélgica, um africano, o Egito, e a Nova Zelândia, da Oceania.

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O sistema usado seria o conhecido como "lucky loser", o perdedor sortudo, usado principalmente em torneios de tênis quando um atleta é derrotado no qualificatório, mas consegue uma vaga na chave principal após a desistência de um concorrente.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando questionado sobre o assunto na última semana, disse não se importar com a participação ou boicote iraniano ao torneio. "Acho que o Irã é um país muito derrotado. Eles estão à beira do colapso", disse o republicano.

No entanto, horas antes do anúncio de que o Irão se retiraria do Mundial, Trump afirmou que "a seleção iraniana é, obviamente, bem-vinda para competir no torneio nos Estados Unidos". A informação foi divulgada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, em publicação nas redes sociais.

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ENTENDA O CONFLITO NO ORIENTE MÉDIO

Na madrugada do dia 28 de fevereiro, Estados Unidos e Israel iniciaram ataques ao Irã com o objetivo de acabar com o programa nuclear do país, que poderia ser usado para a criação de uma bomba atômica, e fragilizar o regime teocrata xiita que vigora desde 1979 e enfraquecer parceiros históricos financiados pelos iranianos, como a milícia do Hezbollah.

Após os primeiros ataques, foi anunciada a morte do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Outros membros da alta cúpula do país também teriam sido mortos. Em resposta, os iranianos atacaram regiões de Israel e outros alvos no Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein. No último domingo, o Irã anunciou a escolha de Mojtaba Khamenei, filho de Ali, como novo líder supremo.

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Os bombardeios continuam na região e miram refinarias em diferentes territórios. A possibilidade do fechamento do Estreito de Ormuz, canal de transporte utilizado para escoar a produção de combustíveis dos países da região, trouxe impactos diretos no preço do petróleo, que oscila fortemente desde a última semana.

Israel também promove um frente de batalha com ataques localizados a Beirute, capital libanesa, mirando o Hezbollah. Washington prevê que a guerra dure algumas semanas, mas membros do governo americano dizem que Donald Trump decidirá quando as ameaças iranianas cessarão.

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