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F1: entenda problema no motor da Aston Martin e impactos que vibrações podem trazer aos pilotos

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A Aston Martin montou para 2026 um time com peças que marcaram época na Fórmula 1. O grande reforço foi a entrada do mago da aerodinâmica, Adrian Newey, egresso da Red Bull. Quem também deixou a equipe austríaca para se juntar à escuderia de Lawrence Stroll foi a Honda, fornecedora de motores no tetracampeonato de Max Verstappen.

A Aston Martin não contava, porém, que a Honda tivesse sérios problemas no desenvolvimento das novas unidades de potência, que passaram por uma revolução para 2026. Desde os primeiros testes, as dificuldades foram se agravando e chegaram a um ponto em que a equipe já declarou que não deve participar de toda a prova no Grande Prêmio inaugural da temporada, em Melbourne, na Austrália.

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O problema mais severo diz respeito a uma intensa vibração provocada pelo motor. Na Fórmula 1, os motores fazem parte da estrutura do chassi, sem os coxins de borracha que amortecem os impactos nos carros de passeio.

Os motores da Fórmula 1 perfazem uma potência muito alta de cerca de 1.000 cavalos e operam em altíssima rotação. Um carro de passeio, tipo SUV, que roda nas cidades brasileiras, por exemplo, tem entre 150 e 190 cavalos de potência. Dessa forma, um carro de corrida está mais sujeito a vibrações intensas.

Há uma série de motivos que podem fazer com que as vibrações fiquem mais fortes. A Aston Martin não entrou em detalhes, mas é fato que há uma incompatibilidade no motor que provoca a acentuação desse tremor. Entre as possibilidades estão assimetrias e desbalanceamentos entre as massas das partes móveis do motor e irregularidade na queima entre os cilindros. Se a frequência natural de outras partes do carro (como a barra de direção) entra em ressonância com a vibração causada pelo componente defeituoso, o tremor pode ser ainda mais sentido pelo piloto.

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"Essa vibração (transmitida pela unidade de potência da Honda) para o chassi está causando alguns problemas de confiabilidade. Espelhos e lanternas traseiras que se soltam do carro, esse tipo de coisa, que estamos tendo que resolver. Mas o problema muito mais significativo é que essa vibração acaba sendo transmitida para os dedos do piloto", afirmou Newey.

De acordo com Dr. Mario Lenza, gerente médico da ortopedia do Einstein Hospital Israelita, a vibração intensa e repetitiva transmitida às mãos pode "gerar uma sobrecarga nas estruturas da mão e do punho, especialmente nos nervos, tendões e vasos sanguíneos."

"Em situações como a relatada na Fórmula 1?, continua o ortopedista, "em que o piloto mantém as mãos firmemente no volante enquanto recebe vibrações constantes do carro, essa exposição prolongada pode afetar o funcionamento normal dessas estruturas".

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Ainda segundo Lenza, formigamento, dormência, diminuição da sensibilidade nos dedos e, em alguns casos, perda temporária de força ou de precisão nos movimentos das mãos são sintomas comuns nesse tipo de situação, dada a interferência no funcionamento dos nervos periféricos da mão e do punho.

"Se a exposição se mantém por muito tempo, sem pausas, também pode ocorrer inflamação de tendões, compressão de nervos e até alterações na circulação dos dedos. Para um piloto de Fórmula 1, que depende de extrema precisão e sensibilidade nas mãos para controlar o carro em alta velocidade, qualquer alteração sensitiva ou motora pode comprometer não apenas o desempenho, mas também a segurança na condução do veículo", explica Lenza.

A Aston Martin estima que Fernando Alonso consiga percorrer até 25 voltas no GP da Austrália, enquanto Lance Stroll, que já fez cirurgias na mão, aguentará cerca de 15 voltas.

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"Interromper a atividade quando surgem sintomas importantes é uma medida prudente para evitar que uma sobrecarga transitória evolua para uma lesão mais relevante", conclui o ortopedista.

O Grande Prêmio da Austrália de Fórmula 1, no circuito do Albert Park, em Melbourne, acontece na madrugada de sábado para domingo, à 1h (de Brasília).

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