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Taxas sobem seguindo curva dos Treasuries e também em reação a varejo forte

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Os juros futuros negociados na B3 exibiram elevação moderada no pregão desta quinta-feira, 15, ainda influenciados pela abertura da curva dos Treasuries, que se somou ao resultado das vendas do varejo acima do esperado em novembro por aqui.

As taxas intermediárias e longas registraram máximas intradia por volta das 14h40, mas sem grande impulso adicional, seguindo o movimento dos títulos soberanos americanos. Os retornos subiram com dados que mostraram queda no número de pedidos de auxílio-desemprego nos Estados Unidos, quando o esperado era alta. Os investidores também monitoraram a pressão do governo Trump no Federal Reserve (Fed), cuja percepção teve ligeiro arrefecimento hoje, após o presidente ter declarado que não pretende demitir o comandante da instituição, Jerome Powell.

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No âmbito doméstico, o principal vetor de alta no trecho curto da curva a termo veio da Pesquisa Mensal do Comércio (PMC), que superou as expectativas do mercado e, embora não tenha alterado a avaliação de que a atividade está perdendo fôlego, mostrou que há setores ainda aquecidos.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2027 subiu de 13,735% no ajuste anterior para 13,755%. O DI para janeiro de 2029 avançou de 13,043% para 13,09%. O DI para janeiro de 2031 oscilou a 13,39%, ante 13,338% no ajuste.

Na abertura da sessão, o IBGE divulgou que as vendas do varejo restrito, que não incluem automóveis e material de construção, subiram 1% entre outubro e novembro, feitos os ajustes sazonais, após redução de 0,1% em setembro e aumento de 0,5% no dado anterior. A mediana de estimativas coletadas pelo Projeções Broadcast apontava alta menor para a medição atual, de 0,2%. Já as vendas ampliadas, que consideram, além dos segmentos pesquisados na parte restrita, veículos e material de construção, avançaram 0,7% na passagem mensal, frente expectativa de 0,4% do consenso de mercado.

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A surpresa positiva foi ponderada pelos agentes, uma vez o número foi influenciado pelas promoções da Black Friday no período, mas mesmo assim o bom comportamento de setores ligados à renda chamou atenção. Entre os 10 segmentos pesquisados, apenas dois tiveram recuo nas vendas no mês: tecidos, vestuário e calçados e veículos e motos, partes e peças, com retração de 0,8% e 0,2% pela ordem.

"O varejo restrito surpreendeu positivamente e retomou recorde da série. No conceito ampliado, foi a quinta alta consecutiva. Embora o cenário de juros restritivos siga limitando os setores dependentes de crédito, a resiliência da renda das famílias e os eventos sazonais de consumo (Black Friday) sustentaram o setor no mês", afirmam os economistas da Kínitro Capital em relatório.

Para Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil, ainda que a o mercado local de renda fixa tenha seguido de perto a curva dos Treasuries, as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central serão balizadas em dados domésticos. Neste sentido, ele avalia que o indicador do varejo é mais um que poderia sinalizar um adiamento do corte da Selic. "Independente do cenário externo, estamos em um patamar de juro muito restritivo. A inflação está indo para a meta, mas o BC pode usar argumento de que para a inflação chegar lá, outros dados têm que 'pedir socorro'", o que não foi o caso da PMC de novembro, disse.

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"As vendas mostraram que a economia está resiliente e que dá para segurar o corte", diz Praça, para quem o primeiro ajuste para baixo no juro básico ocorrerá somente em abril. "Se for para cortar em março, a sinalização em janeiro será importante, mas o varejo não está convergindo", ressaltou.

Por volta das 15h, a curva futura precificava 20% de chance de corte de 0,25 ponto porcentual da Selic em janeiro, ante 100% de probabilidade de redução de igual magnitude em março, segundo cálculos de Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG. Para abril, as apostas estão distribuídas em 60% de chance de corte de 0,5 ponto do juro básico, e 40% de queda de 0,25 ponto. A Selic no fim de 2026 estava em 12,65%, mesmo patamar da sessão de quarta.

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