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Taxas de juros futuras invertem sinal e passam a cair com virada do petróleo

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A curva de juros futuros seguia ganhando inclinação ao longo da tarde, refletindo perspectivas de que o conflito no Oriente Médio poderia ser mais duradouro, assim como a escalada da guerra de quarta para quinta-feira, 19, mas o mercado teve uma rápida guinada faltando duas horas para o fim do pregão. O alívio, também vindo de fora e replicado nos demais ativos domésticos, ocorreu na esteira de declarações do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, que passaram a mensagem de que o Irã está prestes a ser derrotado na guerra e colocaram o petróleo em queda.

Segundo Netanyahu, Estados Unidos e Israel estão vencendo o confronto, e o país persa, cujas forças militares teriam sido "destruídas", não tem mais capacidade de enriquecer urânio, tampouco de produzir mísseis balísticos. "A guerra contra o Irã acabará muito mais rápido do que as pessoas pensam. Estamos vencendo a guerra e o Irã está sendo destruído", afirmou o premiê em entrevista ao Canal 12. Em seguida às falas, o petróleo, que também vinha em alta, virou para o terreno negativo, com o WTI recuando mais de 3% no pregão eletrônico, e o Brent perdendo 2%.

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Além do pronunciamento do primeiro-ministro israelense, outra notícia positiva, ainda que vista com menor peso pelos agentes para explicar o bom humor que se espalhou nos mercados, foi a licença concedida pelo Tesouro dos EUA para que a Rússia venda petróleo bruto e produtos petrolíferos embarcados em navios a partir de 12 de março. Também na tarde desta quinta, a Agência Internacional de Energia (AIE) informou que começou a liberar volumes iniciais de suas reservas de emergência de petróleo. O total da contribuição dos países-membros, de acordo com a AIE, deve alcançar 426 milhões de barris.

Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 caiu de 14,124% no ajuste de quarta para 14,095%. O DI para janeiro de 2029 cedeu de 13,685% no ajuste anterior a 13,675%. O DI para janeiro de 2031 saiu de 13,858% no ajuste a 13,825%.

"Essa melhora veio de fora", afirmou Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, citando, além das falas do primeiro-ministro de Israel, o início da liberação de reservas pela AIE e a diminuição de sanções norte-americanas contra a Rússia. "Essas falas de Netahyahu estão em tom de vitória. O receio é que isso seja outro blefe", ponderou.

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Um economista de uma grande tesouraria observou à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que, em tese, o objetivo de Israel é impedir que o Irã consiga fazer uma bomba nuclear, mas que, "no fim do dia", o que importa efetivamente para os preços dos ativos é se o estreito de Ormuz está ou não aberto. "Sinceramente, estou achando a melhora do mercado muito exagerada", avaliou, uma vez que não houve liberação efetiva da rota estratégica, que escoa um quinto do petróleo produzido no mundo.

Sobre o estreito, o líder israelense disse que está tentando ajudar os EUA a reabri-lo. "Se conseguirmos, os preços do petróleo devem cair. Se não conseguirmos, vamos ser chantageados de maneiras que não podemos imaginar", disse.

Com foco na guerra, a decisão de quarta do Comitê de Política Monetária (Copom) de reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual, já deixada em segundo plano desde a abertura dos negócios, praticamente não repercutiu na curva, segundo alguns agentes. Para Marcelo Bacelar, gestor de fundos multimercado da Azimut Brasil Wealth Management, o movimento de steepening observado até a inversão das taxas também teve como vetor o comunicado do Copom, lido como 'dovish' pela maioria do mercado.

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