Leia a última edição
--°C | Apucarana
Euro
--
Dólar
--

Economia

publicidade
ECONOMIA

Na Azul, fundador David Neeleman perde controle da empresa com fim de recuperação judicial

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Telegram
Siga-nos Seguir no Google News
Grupos do WhatsApp

Receba notícias no seu Whatsapp Participe dos grupos do TNOnline

Com a conclusão de seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos (chapter 11), a companhia aérea Azul deixa de ter seu fundador, David Neeleman, como controlador e passa a operar como uma corporation (empresa cujo controle é pulverizado). A companhia que emerge dessa reestruturação deverá ter as norte-americanas United Airlines e American Airlines como acionistas de referência, cada uma com 8% de participação - o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) ainda precisa aprovar a entrada da American na empresa.

Apesar de perder o controle da Azul, Neeleman, um empresário norte-americano nascido no Brasil, continua fazendo parte do Conselho de Administração, do qual é presidente.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE
Associe sua marca ao jornalismo sério e de credibilidade, anuncie no TNOnline.

O CEO da companhia, John Rodgerson, também permanece no Conselho e no cargo. "(Não ter um controlador) fez parte do acordo para não proteger a participação de ninguém (durante a reestruturação). O que foi protegido nesse processo foi a Azul", disse Rodgerson na manhã desta segunda-feira, 23, em entrevista à imprensa.

A Azul anunciou na última sexta-feira sua saída do chapter 11, após quase nove meses de reestruturação. Nesse período, a empresa conseguiu reduzir sua alavancagem (dívida líquida em relação ao lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) para 2,5 vezes. Há um ano, esse indicador era de 4,9 vezes. Os juros anuais pagos sobre empréstimos e financiamentos também recuou - em mais de 50% - e os custos de locação de aeronaves caíram em um terço.

Para deixar a reestruturação judicial para trás, a empresa ainda emitiu US$ 1,375 bilhão em dívida e recebeu uma injeção de US$ 950 milhões por meio de participação na companhia. Desse montante, US$ 100 milhões foram da United Airlines. Outros US$ 100 milhões devem ser colocados pela American Airlines assim que houver aval do Cade.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Qual a estratégia da Azul para o pós-recuperação judicial?

Em sua nova fase, a Azul terá como foco, segundo Rodgerson, recuperar o cliente perdido durante a reestruturação. A intenção é priorizar melhorias no serviço para atrair o consumidor, e não o crescimento.

Antes mesmo da recuperação judicial, a Azul atravessou uma fase de deterioração de seu serviços, com voos sendo cancelados. O NPS (métrica que indica a probabilidade de uma empresa ser recomendada pelo cliente) chegou a cair 34 pontos. Segundo o executivo, em seis meses até junho de 2025, 30 pontos haviam sido recuperados.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

"Vamos crescer com responsabilidade e reconquistar nossos clientes. Voar com a Azul sempre foi diferenciado, mas, nos últimos seis anos, estávamos em um modo de sobrevivência", afirmou o CEO. "Agora, estamos no modo de reinvestir nos nossos clientes e na nossa marca, mas vamos fazer isso com responsabilidade. Se passo a crescer 20% ao ano, vou perder o foco de reconquistar o que é nosso", acrescentou.

A companhia projeta um crescimento de 1% na oferta em 2026. O número é inferior ao projetado por Rodgerson em junho do ano passado. Pouco após a empresa entrar em chapter 11, o executivo reconheceu que a Azul seria uma empresa com crescimento mais tímido, mas, à época, projetou que a alta anual ficaria ao redor de 3% ou 4%.

Para efeitos de comparação, a Latam estima uma expansão na oferta de 6% a 8% neste ano.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Sobre a possibilidade de voltar a abrir novas rotas, Rodgerson disse que o movimento será feito, mas com responsabilidade. "Todo mundo achava que a Azul iria diminuir (durante a recuperação), porém isso não aconteceu. Agora, com o balanço saudável, há muito mais flexibilidade para crescer."

De acordo com o executivo, quando a empresa recebia cerca de 20 novos jatos por ano para operar, era mais fácil acabar inserindo em sua malha aérea uma rota pouco rentável. Agora, a previsão é de cinco novas aeronaves por ano, o que torna a companhia mais cautelosa para anunciar novos destinos.

Também na fase pós-recuperação judicial, a Azul não pretende retomar as negociações de fusão com o Grupo Abra, controlador da Gol. "Essa era uma opção, antes do chapter 11, para resolver os mesmos problemas que lidamos durante o processo. Agora que saímos, não há necessidade de fusão", disse Rodgerson.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Em janeiro de 2025, a Azul e o Grupo Abra haviam assinado um memorando de entendimento para avaliar uma possível junção das operações. Mas as discussões foram oficialmente encerradas em setembro.

O ponto final, que incluiu também a rescisão do acordo de codeshare, foi atribuído à falta de avanço nas conversas, assim como mudanças no cenário decorrentes da reestruturação da Azul.

Gostou da matéria? Compartilhe!

Compartilhar no Facebook Compartilhar no Twitter Compartilhar no WhatsApp Compartilhar no Email

Últimas em Economia

publicidade

Mais lidas no TNOnline

publicidade

Últimas do TNOnline