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Morre Carlos Eduardo Quartim Barbosa, o Charlô, ex-administrador do banco Comind

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Morreu ontem, 31, aos 98 anos, Carlos Eduardo Quartim Barbosa, ex-administrador de um dos maiores bancos privados do Brasil até a década de 1980, o Banco do Commércio e Indústria de São Paulo (Comind). Conhecido como Charlô, ele teve papel central na disputa pelo controle acionário do Comind após a morte de seu pai, Teodoro Quartim Barbosa, que tinha sido presidente e um dos principais acionistas do banco. Seu sepultamento foi no cemitério da Consolação, em São Paulo.

Charlô também se notabilizou como pecuarista, e um dos responsáveis pela introdução e consolidação da raça bovina Brahman no Brasil.

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Com a morte de Teodoro em 1968, a gestão do Comind foi assumida por um consórcio, a Stab (Serviços Técnicos de Administração de Bens Ltda.), do qual Charlô detinha cerca de 20% das ações, a maior das parcelas. O filho, no entanto, enfrentou concorrência de outros acionistas pela administração do banco.

Nomes como Paulo Egydio Martins (que viria a governar São Paulo entre 1975 e 1979), Gastão Vidigal (dono do Banco Mercantil) e a família Ermírio de Moraes (dona da Votorantim), entre outros, eram responsáveis pelo restante do controle acionário.

A disputa societária levou o Comind à intervenção federal e à liquidação extrajudicial pelo Banco Central (BC) em 1985. Críticos acusavam a má gestão de Charlô como causa da quebra, enquanto o administrador afirmava que o desfecho era fruto de um projeto de vingança pessoal de seus adversários.

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O BC, à época, informou que o banco vinha apresentando "problemas em sua estrutura de ativo/passivo", provocados pela concessão de "empréstimos de difícil recuperação", comprometendo seu patrimônio líquido, além de "graves violações às normas vigentes".

A crise no Comind provocara um rombo de 6,8 trilhões de cruzeiros e levara a uma reunião de emergência do Conselho Monetário Nacional, em 19 de novembro de 1985, para referendar a liquidação. Na mesma reunião, o órgão decidira extinguir também os grupos Auxiliar e Maisonnave.

"Indicadores mostram que as instituições financeiras desses grupos continuam a enfrentar dificuldades de solvência insuperáveis, a curto prazo, tendo em vista a existência de operações de crédito inadimplentes em nível elevado. Além disso, apurou-se a pratica de irregularidades graves", afirmara em nota o BC.

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Os problemas nos três grupos empresariais eram estruturais, "inerentes ao quadro de insolvência subjacente", declarou o BC, para quem as propostas apresentadas pelos administradores para resolver os problemas implicavam sempre a "participação substancial de dinheiro público, em condições subsidiadas".

"A medida foi o capítulo final de um processo de instabilidade financeira dos três grupos, que já perdurava por mais de três anos e que levou o governo - o atual e o anterior - a injetar Cr$ 3,3 trilhões nessas instituições, a título de socorro", publicou o Estadão à época.

Em depoimento à 3ª Vara da Justiça Federal de São Paulo anos depois sobre o caso, Charlô expôs contrariedade com a liquidação do banco.

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A primeira grande polêmica em relação à disputa acionária surgiu em novembro de 1977, quando Gastão Vidigal, presidente do Banco Mercantil, quis comprar 14% das ações do Comind, de José da Silva Gordo e Edgar Queiros Ferreira. A compra das 39,3 milhões de ações, ao preço unitário de Cr$ 4,04, enquanto o de mercado era Cr$ 1,00, foi suspensa de última hora pelo Conselho de Administração da Bolsa de Valores, após pedido do BC.

No fim de 1980, o Comind, então presidido por Charlô, foi acionado pelo Grupo Votorantim, detentor de 7% do capital votante do banco e de 23% da Stab, por "atitude abusiva, com indisfarçáveis segundas intenções e que culmina uma série de atos irreguladores praticados por essa administração". A disputa se manteve até a quebra da instituição.

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