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Leilão de NTN-B com bom resultado e cenário político dão alívio às taxas longas

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O bom resultado do leilão de títulos atrelados ao IPCA realizado nesta terça-feira, 24, pelo Tesouro Nacional conferiu alívio aos trechos mais distantes da curva de juros futuros, que perdeu inclinação no pregão. Além de fatores técnicos, participantes do mercado mencionam o cenário político como outra influência de baixa sobre os juros longos. Isso porque há percepção de que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terá resultados mais favoráveis em pesquisas eleitorais a serem divulgadas ao longo da semana, após eventos que devem ter desgastado a imagem do presidente Lula no Carnaval deste ano.

Também deu suporte ao comportamento benigno dos DIs, ainda que a Bolsa tenha reagido com maior vigor, o otimismo vindo do exterior que beneficiou ativos de países emergentes. O bom humor, que tem como pano de fundo a tendência de rebalanceamento de carteiras, foi desencadeado também pela volta atrás do presidente Donald Trump em relação à tarifa global a ser aplicada pelos Estados Unidos. O porcentual será de 10%, abaixo dos 15% anunciados anteriormente.

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Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 13,234% no ajuste de segunda para 13,235%. O DI para janeiro de 2029 cedeu de 12,595% no ajuste anterior a 12,565%. O DI para janeiro de 2031 recuou a 12,99%, vindo de 13,043% no ajuste antecedente. Este foi o menor fechamento do vértice desde 04 de dezembro, dia anterior ao anúncio da pré-candidatura à presidência de Flávio, que provocou forte estresse no mercado.

O Tesouro vendeu integralmente nesta terça o lote ofertado de 1,5 milhão de Notas do Tesouro Nacional - Série B (NTN-B), sendo que, destas, 500 mil vencem em agosto de 2050. Nos cálculos da Warren Investimentos, o volume financeiro, de R$ 6,42 bilhões, foi 32% maior do que o certame anterior, enquanto o risco adicionado ao mercado, medido pela métrica de DV01, ficou em US$ 792,7 mil, 35% acima do leilão da semana passada.

Estrategista-chefe de Macro e Dívida Pública da Warren, Luis Felipe Vital destaca que as taxas das NTN-B saíram fechadas, ou seja, abaixo do que agentes esperavam. "Mas o tamanho do leilão foi normal. Exatamente igual a nossa expectativa aqui", destacou.

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Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset, observa que as taxas das vendas tiveram viés fechado em diversos vértices, o que é um indicativo de demanda forte por esses papéis. "O mercado está com apetite para prefixados e duration em juros reais e nominais", disse. "Houve uma colocação forte e mesmo assim o mercado está absorvendo. O leilão foi bem positivo", completou o gestor, ponderando que a devolução nos prêmios de risco dos DIs longos nesta terça, de 5 a 6 pontos-base, não representa uma movimentação tão relevante.

Outro tema que movimentou as mesas de renda fixa e que também pode ter contribuído para a desinclinação da curva foi a expectativa em torno de enquetes eleitorais. Embora dados não tenham vazado, operadores avaliam que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro pode ter ganhado vantagem em relação aos últimos levantamentos, após o mal-estar gerado pela homenagem da Acadêmicos de Niterói a Lula no Carnaval.

Na quarta será divulgada nova edição da AtlasIntel e, na sexta-feira, está prevista a publicação de levantamento do instituto Paraná Pesquisas. "Não vi vazamento, mas há um sentimento sobre a AtlasIntel, à qual o mercado dá mais importância que o usual. Se vier melhor para Flávio, o mercado vai se empolgar", afirmou Lima.

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Em condição de anonimato, um estrategista de uma plataforma de investimentos disse à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, que não foram ventilados os números da AtlasIntel, mas sim que o senador estaria com maior intenção de votos frente à edição anterior. "Lembrando que ele estava com 12 pontos de diferença em relação à Lula e na última pesquisa a diferença caiu para 4 pontos. Então seria algo significativo", comentou.

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