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Haddad: não se pode tomar decisão açodada sobre juros amparada no preço do petróleo

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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta terça-feira, 10, que não se pode tomar uma decisão açodada sobre a taxa básica de juros baseada nos preços do petróleo, que estão em alta por conta da guerra no Irã. Segundo ele, o cenário se parece com o do "tarifaço" dos Estados Unidos.

"Nós não podemos correr risco de tomar decisões açodadas. Você lembra no caso do 'tarifaço'? Houve um pânico gerado pela extrema-direita que aquilo ia quebrar a economia brasileira, e nada disso aconteceu", afirmou o ministro da Fazenda.

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E seguiu: "Você veja como o preço do petróleo está alucinando dia a dia. Você não pode, com base nisso, já ir tomando decisões estruturais que vão comprometer. Nós temos que observar, verificar o andar das coisas, estabelecer cenários, como nós fizemos no caso do 'tarifaço'."

Segundo ele, o governo deve desenhar cenários possíveis e oferecer alternativas para a tomada de decisão do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. "Nós entendemos que podemos estar diante de um fenômeno com consequências que podem ser contornadas de maneira sóbria, sem gerar nenhum tipo de estresse, e caminhando na direção que nós pretendemos", disse.

Perguntado sobre uma precificação de corte menor da taxa básica de juros por conta do cenário externo, Haddad afirmou que o Banco Central é autônomo tanto do governo, quanto do mercado. "O Banco Central é autônomo, tanto do governo quanto do mercado. Ele, com base nos dados, vai verificar a conveniência de um movimento ou outro. Isso é atribuição dos diretores que estão lá, indicados para isso, com essa missão", afirmou.

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"O Banco Central é independente. Porque ele tem uma metodologia de trabalho que ele vai seguindo", completou o ministro.

Saída do Ministério da Fazenda

Haddad afirmou ainda que deixará o Ministério da Fazenda na próxima semana, mas não confirmou que irá ser candidato ao governo de São Paulo. Segundo ele, ainda há conversas a serem feitas com o presidente Lula, o vice-presidente, Geraldo Alckmin, e a ministra do Planejamento, Simone Tebet.

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"Devo deixar o governo na semana que vem. Nós estamos conversando (sobre candidatura). Não está batido o martelo ainda", afirmou Haddad. "Eu tenho conversado com o presidente, a gente tá alinhando também a questão de (...) não é só a candidatura. Tem que ver o bloco de pessoas, o grupo de pessoas que vão compor a chapa. Então eu estou vendo tudo isso com os cuidados devidos", completou.

Durigan no comando da Pasta

Haddad confirmou, entretanto, que o atual secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, deve assumir o comando do Ministério, mesmo citando que a indicação final é decisão do presidente da República.

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"Eu acredito que sim. O Dario, eu acho que tem uma relação muito boa com o presidente, muita confiança. E tem o domínio aqui do Ministério há muitos anos. Um grande gestor público", disse Haddad.

Eleições em SP

Mesmo sem garantir que será candidato, Haddad declarou que as eleições em São Paulo são sempre difíceis para candidatos progressistas, mas que quando houver o nome, este deve ir bem contra Tarcísio de Freitas.

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"É sempre desafiador para o campo progressista. Mas o importante é você qualificar o debate. É você, por meio do contraditório, elevar o nível de debate, o nível das propostas e não deixar ninguém na zona de conforto. Nem situação, nem oposição. O bonito da democracia é isso. Assim que a gente tiver um candidato a governador, eu acho que vai ter grande chance", afirmou o ministro da Fazenda.

Ele disse que a saída dele da Pasta já havia sido anunciada há dois meses, mas que ele só está conseguindo sair agora.

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