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FMI corta previsão do PIB global em 2026 e eleva a de inflação com guerra no Oriente Médio

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O Fundo Monetário Internacional (FMI) reduziu a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) global de 2026, de 3,3% para 3,1%, de acordo com o relatório Perspectivas da Economia Mundial (WEO, na sigla em inglês), divulgado nesta terça-feira, 14. A projeção de aceleração em 2027 foi mantida em 3,2%.

O FMI menciona que a piora nas expectativas remetem a custos humanitários, danos à infraestrutura e forte interrupção do tráfego marítimo e aéreo devido a guerra no Oriente Médio. O Fundo ainda alerta para repercussões secundárias via alta nos preços de commodities e efeitos de segunda ordem sobre expectativas de inflação, especialmente sensíveis a energia e alimentos, além da aversão ao risco nos mercados financeiros.

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"A economia global vinha resistindo a choques recentes, mas a guerra no Oriente Médio iniciada no fim de fevereiro voltou a testar essa resiliência", diz o FMI. "O efeito global depende da duração, intensidade e escopo do conflito", acrescenta.

Sobre a inflação global, o FMI prevê uma alta para 4,4% neste ano, ante 3,8% no relatório anterior. Segundo a entidade, a inflação oscilava com algumas divergências, mas estava "em grande medida estável" até o conflito no Oriente Médio gerar aperto moderado das condições financeiras globais e elevar preocupações com novo salto dos preços. Para 2027, o FMI também elevou as projeções da inflação global, de 3,4% para 3,7%.

Em relação ao comércio global, o FMI prevê uma alta de 2,8% em 2026, superior aos 2,6% previstos em janeiro, após mudanças na política de tarifas dos Estados Unidos.

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A entidade destaca que esse ambiente tem incentivado países a concluir negociações e formar novas parcerias, citando o acordo da União Europeia (UE) com o Mercosul. Para 2027, o FMI estima um crescimento ainda maior do comércio, de 3,1% no relatório de janeiro, para 3,7% agora em março.

PIB de países envolvidos na guerra deve desacelerar fortemente

O FMI reduziu fortemente a previsão para o crescimento do PIB dos países do Oriente Médio e da Ásia Central em 2026, mas elevou estimativas para o próximo ano.

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Para 2026, a projeção de crescimento econômico da região foi revisada para 1,9% na atualização trimestral das Perspectivas Econômicas Globais da instituição, divulgada nesta terça-feira, ante 3,9% no relatório de janeiro. Em 2027, no entanto, a revisão foi para cima e passou de 4% para 4,6%.

Segundo o FMI, a revisão reflete o impacto direto do conflito no Oriente Médio. "Para os exportadores de commodities diretamente afetados, a redução da produção e das exportações implica uma forte revisão para baixo nas projeções de crescimento do PIB em 2026, dependendo do nível de danos à infraestrutura de energia e transporte, bem como da dependência do Estreito de Ormuz e da disponibilidade de rotas alternativas de exportação", explica a entidade.

O relatório aponta que a contração do crescimento em 2026 deve ser mais intensa em países como Bahrein, Irã, Iraque, Kuwait e Catar, e menos significativa em Omã, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, em meio à guerra. A melhora em 2027 tem como base a hipótese de normalização da produção e do transporte de energia nos próximos meses, uma premissa que pode ser revista caso o conflito se prolongue ou os danos sejam reavaliados, segundo o FMI.

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No Irã, a projeção de crescimento para 2026 foi revisada para baixo em 7,2 pontos porcentuais em relação a janeiro, para uma queda de 6,1% no PIB, enquanto a de 2027 foi revisada para cima em 1,6 ponto porcentual, para 3,2%. Na Arábia Saudita, as estimativas foram reduzidas em 1,4 ponto porcentual para 2026, a 3,1%, e elevadas em 0,9 ponto para 2027, a 4,5%.

Preços de commodities energéticas devem subir 19% em 2026

O preço do petróleo deve subir 21,7% em 2026, impulsionado pela guerra no Oriente Médio, e recuar 7,6% em 2027, segundo relatório do FMI divulgado nesta terça-feira. Na mesma direção, os preços das commodities energéticas devem avançar cerca de 19% neste ano. Já os alimentos também tendem a ficar mais caros, pressionados pelo aumento dos custos de energia e fertilizantes.

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A guerra no Oriente Médio interrompeu a trajetória da economia global ao impulsionar os preços das commodities, especialmente os de energia, segundo o FMI. O organismo também afirma que danos a instalações críticas em uma região central para a oferta mundial de hidrocarbonetos contribuíram para a pressão altista sobre os preços.

"Os preços mais altos de commodities funcionam como choque negativo de oferta, elevando custos de bens e serviços intensivos em energia, afetando cadeias de suprimentos, pressionando a inflação e reduzindo o poder de compra", diz o FMI.

O órgão alerta que um bloqueio mais longo do Estreito de Ormuz e novos danos a perfuração e refino de hidrocarbonetos aprofundariam os efeitos na economia global. Num cenário adverso, o crescimento da economia global desaceleraria a 2,5% e a inflação subiria a 5,4%.

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Já os preços de metais industriais e preciosos devem manter os ganhos registrados em 2025, segundo projeção da instituição.

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