Fitch: economia global segue resiliente em 2026, mas alta do petróleo é risco ao PIB mundial
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A economia global deve continuar resiliente em 2026, apesar do aumento das tensões geopolíticas e das incertezas comerciais, diz a Fitch Ratings, em relatório de perspectiva econômica global divulgado nesta quarta-feira, 11. A agência, contudo, alerta que um choque mais duradouro nos preços do petróleo poderia afetar o crescimento mundial no ano.
A agência espera ligeira desaceleração do Produto Interno Bruto (PIB) global, dos 2,7% registrados em 2025 para 2,6% neste ano, mas ainda acima da projeção de 2,4% divulgada no relatório de dezembro.
A revisão reflete, entre outros fatores, investimentos elevados ligados à inteligência artificial (IA), déficits fiscais amplos nos Estados Unidos e na China e um impulso ao consumo americano vindo da valorização do mercado acionário.
Ainda assim, a Fitch destaca que os preços da energia se tornaram um novo fator de risco para a atividade econômica global, em meio ao agravamento das tensões no Oriente Médio. Diante disso, a agência elevou sua projeção para o preço médio do petróleo Brent em 2026 de US$ 63 para US$ 70 por barril.
No cenário-base da Fitch, a alta recente do petróleo seria temporária e não teria impacto relevante sobre as projeções de crescimento. Porém, um cenário adverso em que os preços subam para US$ 100 por barril e permaneçam nesse nível configuraria um choque negativo de oferta, capaz de reduzir o PIB global em cerca de 0,4% após quatro trimestres.
Entre as principais economias, a agência prevê crescimento de 2,2% nos Estados Unidos em 2026, ritmo estável em relação a 2025, embora com expectativa de moderação do consumo diante do enfraquecimento do mercado de trabalho. Na zona do euro, o avanço projetado é de 1,3%, enquanto a China deve desacelerar para 4,3%, após expansão de 5% no ano passado.
A Fitch também aponta que os riscos ao cenário global incluem novas incertezas na política comercial dos EUA e o impacto de custos de energia mais altos, ainda que avalie que a economia mundial tem mostrado capacidade de absorver choques geopolíticos recentes.
China
A Fitch elevou a projeções de crescimento da China em 2026, o que corresponde a uma desaceleração mais branda ante 2025 do que o anteriormente projetado, diante do impacto das exportações e dos investimentos em capital. A agência de avaliação de risco de crédito espera que o crescimento na China desacelere para 4,3%, ante 5% no ano passado. A projeção anterior era de desaceleração para 4,1%. A Fitch previu que o crescimento dos gastos do consumidor chinês deve enfraquecer e o crescimento das exportações tende a esfriar, mas antecipa uma leve recuperação do investimento em capital (capex).
Para a Fitch, há uma crescente divisão entre a força do setor externo e a fraqueza doméstica na economia chinesa.
O aumento da poupança interna e a queda do investimento na China levaram o crédito líquido do setor privado (poupança menos investimento) a um recorde histórico de 11% do PIB, segundo a Fitch. "Isso faz com que o crescimento dependa fortemente das exportações e do apoio fiscal, além de evidenciar as pressões deflacionárias", diz a agência.
A Fitch pontuou que, dentro do setor privado, as empresas (incluindo as estatais) continuam sendo grandes tomadoras líquidas, com investimento excedendo a poupança (lucros retidos). "Mas isso é mais do que compensado por um enorme empréstimo líquido das famílias, refletindo poupança estruturalmente alta e o colapso do investimento das famílias em imóveis nos últimos anos", notou.
"Estimamos que a taxa de poupança das famílias subiu para 35,3% da renda em 2025, enquanto o endividamento líquido do setor corporativo provavelmente caiu à medida que o investimento diminuiu, elevando ainda mais o empréstimo líquido total do setor privado", destacou a agência.
EUA
A Fitch Ratings revisou para cima suas estimativas de crescimento da economia dos Estados Unidos, destacando um consumo resiliente no país, apesar de um quarto trimestre considerado fraco em consequência do shutdown do governo no fim do ano passado, segundo comunicado divulgado nesta quarta-feira.
De acordo com a agência, o PIB norte-americano agora é estimado em 2,2% em 2026, acima da projeção anterior de 2% em uma atualização antecipada em janeiro e 1,9% no relatório 'Perspectiva Econômica Global' de dezembro. Para 2027, a Fitch prevê a expansão de 2,1%.
No mercado de trabalho, a agência projeta que o desemprego médio de 4,6% em 2026 fique próximo aos níveis recentes. Segundo o relatório, os riscos de empregabilidade nos Estados Unidos persistem em meio à contratação fraca. Já a política monetária deve reagir com menos cortes de juros neste ano, uma vez que a Fitch espera que o Federal Reserve (Fed) monitore de perto os choques nos preços de energia e reduza as taxas duas vezes no ano de 2026, levando a taxa básica para 3,25%. Anteriormente, a Fitch previa dois cortes pelo BC americano ainda no primeiro semestre.
Sobre a inflação, a Fitch afirma que as tendências recentes mostram um núcleo do índice de preços ao consumidor "abaixo do esperado" em parte como reflexo da queda nos preços dos automóveis. A estimativa é de que a inflação ao consumidor encerre 2026 em 3,0% e ainda possa absorver parte das tarifas do governo do presidente Donald Trump, refletindo o repasse tardio de tarifas.
Segundo a agência, mercados acionários aquecidos estão sustentando o consumo, com a taxa de poupança caindo para apenas 3,6% ao fim do ano. O documento prevê que o consumo desacelere para 2,2% neste ano, uma vez que o crescimento da renda desacelerou e o crescimento do emprego enfraqueceu.
Zona do euro
A Fitch aponta que a previsão de crescimento da zona do euro para 2026 sofreu poucas alterações, com o PIB devendo subir 1,3% neste ano, enquanto as revisões das previsões por país elevam ligeiramente o crescimento para 1,3% em 2027. Em sua versão de março do relatório global trimestral, a agência avalia que a perspectiva de curto prazo depende da recuperação da Alemanha, que começa a se refletir nos dados.
O afrouxamento fiscal alemão inclina a região para uma postura expansionista, o que levará a um aumento de 0,4 ponto percentual no crescimento das quatro maiores economias em comparação com 2025, projeta. Apesar disso, a Fitch espera que o crescimento geral da zona do euro desacelere à medida que o crescimento irlandês se normalize após ter avançado em dois dígitos no ano passado.
"Partimos do pressuposto de que os recentes desenvolvimentos nos mercados de petróleo e gás resultam em um aumento relativamente breve nos preços, conforme refletido em nossa previsão de que as cotações do petróleo atingirão uma média de US$ 70 o barril em 2026. Embora esse valor seja superior à nossa previsão de dezembro, ainda é inferior, em euros, à média de 2025", aponta. "Assim, as mudanças teriam apenas impactos menores sobre o crescimento, a inflação e a política monetária. Nossas previsões para o preço do gás (TTF holandês) também implicam um preço médio anual mais baixo em 2026 em comparação com 2025", projeta a agência.
O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) na região ficará em 1,8% no final de 2026 e 1,9% ao fim de 2027, segundo a estimativa. As taxas de juros de referência ao final destes dois anos estarão em 2%, enquanto o câmbio com relação ao dólar também ficará em US$ 1,18 no período, de acordo com a projeção.
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